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Angra pode reviver boom de empregos na indústria naval

Cidade passou por período difícil por causa da Lava-Jato, que atingiu em cheio a construção naval e a Eletronuclear

Texto publicado originalmente pelo Diário do Vale

A retomada das obras da usina nuclear Angra 3 e o aumento de encomendas de plataformas de petróleo à indústria naval podem devolver a Angra dos Reis um dos melhores períodos econômicos da sua história. A cidade passou por tempos difíceis a partir de 2016 e a recuperação só teve início no fim da década passada, com uma tímida retomada do setor naval. Ano passado, o município já foi o que mais teve aumento na quantidade de postos de trabalho na região.

Mesmo sem uma retomada com força total, a construção naval já apresenta números positivos: o estaleiro Brasfels foi o responsável por 79,99% dos empregos gerados em Angra em 2022, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Previdência disponibilizados no Novo Caged. Impulsionado por demandas da Petrobras, ligadas diretamente ao Ministério de Minas e Energia, o estaleiro gerou um saldo positivo de 3.734 postos de trabalho de janeiro a dezembro do ano passado.

Agora, com o governo federal colocando na agenda a retomada de investimentos no setor naval e com o reinício, ainda no governo anterior, das obras de Angra 3, os bons tempos podem retornar. O aumento da exigência de conteúdo nacional faria esse indicador avançar ainda mais.

Ascenção e queda

No início do século XXI e até 2016, Angra dos Reis acumulava recordes de geração de empregos em dois setores que têm a tradição de remunerar bem seus trabalhadores: a construção pesada, que fazia Angra 3, e a indústria naval, que atendia as encomendas da Petrobras.

Com um vasto contingente de mão de obra bem-remunerada, os setores de comércio e serviços da cidade prosperavam. Mas os tempos pioraram: com a Operação Lava-Jato, a Petrobras foi asfixiada e suas encomendas de plataformas de petróleo pararam. Em 2017 , o estaleiro angrense quase fechou as portas. A força de trabalho, que era de 15 mil metalúrgicos, caiu para três mil.

Pouco depois, outra “locomotiva” econômica da cidade da Costa Verde também parava: a construção da usina nuclear Angra 3 entrou na alça de mira da Lava-Jato e o então presidente da Eletronuclear, Othon Pinheiro, chegou a ser preso. As obras pararam.

Alta no conteúdo nacional alavancará emprego no setor naval

Caso o governo federal ouça os argumentos de entidades como a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e estabeleça percentuais mais altos de conteúdo nacional para os equipamentos da indústria petrolífera, a empregabilidade no setor naval deve crescer ainda mais.  As informações são do Monitor Mercantil.

As perspectivas são favoráveis à indústria naval fluminense: Na semana passada, no Rio de Janeiro, o presidente Lula garantiu que o governo vai retomar os investimentos na indústria naval e de óleo e gás: “Vamos voltar a construir navios nos estaleiros do Rio de Janeiro e retomar os investimentos na indústria de óleo e gás”, afirmou o presidente.

Atualmente, o índice de conteúdo local nas licitações de plataformas da Petrobras é de 25%. Já foi de 40% no passado.  Na início do mês, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recebeu o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval). O presidente da entidade, Ariovaldo Rocha, entregou ao ministro uma carta com a relação das medidas governamentais necessárias à retomada do setor, listando também os principais obstáculos que dependem de ações do governo Lula.

Haddad mostrou-se preocupado com a situação da indústria brasileira e ressaltou que o Brasil precisa retomar sua plena atividade e recuperar os empregos perdidos nos últimos anos.

Levantamentos feitos pelo economista Cloviomar Cararine, do Dieese (subseção FUP), mostram que, para cada R$ 1 bilhão investido pela Petrobras na construção de plataformas são gerados em torno de 26,3 mil empregos diretos e indiretos; e cada 1% de conteúdo nacional na construção offshore equivale à criação de cerca de 3,9 mil empregos.

Pelos cálculos do especialista, na plataforma P-80, que está sendo feita no exterior, caso seja cumprido o índice de 25% de conteúdo local, poderiam ser gerados cerca de 395 mil empregos diretos e indiretos, sendo em torno de 296 mil fora do país e 98 mil no Brasil. Se o índice de conteúdo nacional voltasse a 40%, seriam 156 mil postos de trabalho de qualidade gerados no País.

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