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Aquecimento global não é o único vilão dos incêndios florestais

Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Em artigo da Nature, professora da UFRJ alerta que, além do aquecimento global, há outros vilões para os megaincêndios florestais

Em seu artigo publicado na revista científica Nature, nesta terça-feira (5/3), a professora Renata Libonati, do departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), definiu duas palavras-chave para a mitigação de incêndios florestais e seus riscos para a humanidade: prevenção e regulamentação. Segundo ela, os “megaincêndios”, cada vez mais frequentes ao redor do mundo, continuarão a existir, e o aquecimento global não é o único responsável pelo crescimento destes eventos. “Esses incêndios florestais não são uma calamidade única”, afirmou.

A cientista se refere aos megaincêndios ocorridos no mês passado no Chile, que deixaram centenas de pessoas feridas, mais de 300 desaparecidos e 132 mortos. No artigo, a professora cita outros diversos incêndios florestais que promoveram catástrofes nos EUA (Havaí), Canadá e Grécia, em 2023. Renata Libonati também cita outros, de um passado não tão distante, como a temporada de eventos descontrolados na Austrália entre 2019 e 2020, além dos mais mortais de todos, os incêndios na Califórnia em 2018. “Como cientista de incêndios da Universidade, no Brasil, perdi a conta de quantas vezes me esforcei para analisar as consequências mortais de incêndios cataclísmicos em todo o mundo”, escreveu ela. 

Além da má gestão de terras, outro fator destacado por Renata é a proximidade das vegetações inflamáveis com as zonas urbanas. No Chile, por exemplo, a área que abrange essa interação entre esses dois espaços compreende 80% dos lares dos chilenos e 60% dos incêndios florestais. “Pastagens e áreas agrícolas são fontes típicas de ignição. Acidentalmente, por negligência ou incêndio criminoso, os seres humanos foram responsáveis ​​por cerca de 98% das causas conhecidas dos incêndios chilenos entre 1985 e 2018.”

Segundo um relatório de 2022 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, as mudanças do clima e da cobertura do solo, incluindo o desmatamento, a urbanização, a exploração mineira e a utilização de terras para agricultura e pastagens, aumentaram a probabilidade de incêndios florestais extremos nas últimas décadas.

No entanto, para Renata, é preciso que os países façam algo além de combater as causas das alterações climáticas: é necessário implementar políticas de gestão de terra e fogo eficazes e urgentes. Além disso, ações voltadas para a conservação de espécies nativas e para a educação populacional sobre os riscos desses eventos também são essenciais. É fundamental a ruptura do que ela chama de “ciclo de feedback positivo” dos incêndios, no qual as políticas de supressão dos eventos de fogo levam à formação de um solo mais seco e suscetível a incêndios mais intensos. “Quebrar este ciclo exige uma interação ciência-política eficaz e contínua.”

O comportamento e o engajamento da sociedade também são essenciais nesse processo. Segundo Renata, os governos locais, organizações não governamentais e empresas podem promover o envolvimento da comunidade na prevenção de incêndios através de campanhas educativas, e a mídia pode divulgar informações para aumentar a sensibilização das pessoas sobre as consequências de práticas irresponsáveis. “Os megaincêndios são uma crise humanitária (…) As nações precisam de uma abordagem holística à governança do fogo, ajustando a prevenção, a regulação e o planejamento, conforme cada contexto local e ecológico”, finaliza a professora. 

Acesse o artigo completo pelo link

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