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Imagens criadas pela inteligência artificial já concorrem com obras de arte

Imagens criadas pela inteligência artificial já concorrem com obras de arte

Imagens criadas pela inteligência artificial já concorrem com obras de arte
Mobilidade Humana

Trabalhos feitos por plataformas digitais são premiados e vão parar até em museus

Uma imagem criada através de uma plataforma de inteligência artificial está causando uma controvérsia enorme na Holanda. É que o autor da “obra de arte” apenas digitou algumas palavras e compôs pelo computador uma versão de famosa obra-prima de Johannes Vermeer “Moça com Brinco de Pérola“. Apesar do mínimo esforço humano, a criação foi selecionada para figurar numa exposição em homenagem ao mestre, causando até revolta. 

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“A Girl With Glowing Earrings”, de Jason M. Allen, pelo Midjourney.

Com o uso da IA, o designer Jason M. Allen foi ainda mais longe. Ele foi o vencedor de um concurso de arte no Colorado, nos Estados Unidos, com a obra “Teatro de Ópera Espacial”. Ele usou o mesmo instrumento, o Midjourney, para representar como se fosse uma pintura cantores líricos no palco de um teatro. Ao jornal The New York Times, ele declarou: “A arte está morta”.

O assunto levanta uma forte controvérsia, pois como tudo que é novo há não só opiniões diversas, como dúvidas com relação a seu real impacto. As plataformas de inteligência artificial, que estão se popularizando, já podem de fato criar imagens no estilo de pintores consagrados com temas variados. À medida que forem sendo divulgadas tantas dessas “obras”, o que cabe saber é até que ponto as pessoas vão parar para admirá-las numa parede de uma galeria ou pagar um preço alto por elas.

Mas por enquanto o principal debate é o ético. Na Holanda, a imagem inspirada em Vermeer ficou exposta do prestigiado museu Mauritshuis, em Haia. O próprio autor, Julian van Dieken, um holandês radicado na Alemanha, declarou em sua conta no Instagram: “É surreal vê-lo em um museu”. 

Na própria postagem, a artista holandesa Iris Compiet declarou que a exposição era uma “vergonha e um insulto incrível“. À agência AFP, ela disse que “é um insulto ao legado de Vermeer e também a qualquer artista em atividade. Vindo de um museu, é um verdadeiro tapa na cara“.

A artista Eva Toorenent, do European Guild for Artificial Intelligence Regulation, criticou o que chamou de “tecnologia antiética”. “Sem o trabalho de artistas humanos, este programa não poderia gerar nenhuma obra“, disse ela ao jornal holandês De Volkskrant.

Situações como essa devem se repetir daqui para frente com maior frequência. Isso porque os softwares estão ficando cada vez mais acessíveis e ricos em conteúdo. Eles são capazes de processar milhões de imagens até montar o que lhe foi pedido. 

Há até o caso de artistas temendo ficar sem seu “ganha pão” devido à facilidade com que a nova arte começou a ser criada. O temor de que a propagação roube postos de trabalho foi manifestada por um deles.  “Essa coisa quer nossos empregos e é ativamente um anti-artista“, afirmou RJ Palmer, um artista de arte conceitual para filmes e videogames, em uma mensagem que viralizou no Twitter.

Seu aborrecimento pode ter até fundamento, diante do prejuízo com anos de estudo. Palmer ressaltou como os programas conseguem imitar precisamente artistas consagrados e seus traços estéticos.

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Trabalhos criados no Stable Diffusion.

Stable Diffusion, um gerador de imagens de inteligência artificial de código aberto lançado recentemente, faz operações de machine learning a partir de um arquivo compactado de “100.000 gigabytes de imagens” extraído da internet.

Seu fundador,  Emad Mostaque, é cientista da computação com formação em tecnologia e finanças, e vê o Stable Diffusion como um “motor de busca generativo”.

Ou seja, enquanto as pesquisas de imagens do Google mostram fotos que já existem, o Stable Diffusion mostra tudo o que uma pessoa pode imaginar com base nas ordens recebidas dos usuários.

Através dele, foi criada uma imagem de torre de petróleo no estilo do pintor inglês JMW Turner. Como copiar estilo não é exatamente uma novidade, pode-se imaginar que esses trabalhos dificilmente terão tanto valor assim. Mas de fato no momento estão gerando um debate ético sobre o direito de apropriação.

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Reprodução do DALL-E.

Sabe-se por exemplo que muitos artistas já estão usando o sistema  DALL-E, desenvolvido pela OpenAI, do controverso empresário Elon Musk, para fazer seus trabalhos digitais. Portanto, muito do que se vê por aí em termos de artes visuais já tem a “mãozinha” desses softwares. Como ao longo da história, o destaque sempre foi dado à capacidade de inovar e à genuinidade das obras e não aos artistas

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