Instituto de Qualidade Ferroviária (IQF) nasce com a missão de criar referências padronizadas para o setor

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Desastre em Maceió

Entidade tem o Clube de Engenharia entre seus signatários e já se organiza para a realização de um primeiro evento de abrangência nacional

Num momento em que são anunciados investimentos para a expansão da malha ferroviária do Brasil, é extremamente oportuna a fundação de uma entidade com o objetivo de estimular a qualidade do setor. O Instituto de Qualidade Ferroviária (IQF), que tem o Clube de Engenharia entre suas instituições fundadoras, nasce com o objetivo de promover a eficiência e a padronização nessa indústria a fim de garantir um crescimento sustentável da mobilidade por meio de trilhos no país. Além de já ter marcado um evento para 1º de março em São Paulo, há previsão de lançamento de um selo para a avaliação de produtos nacionais e importados.

Um dos impulsos que o transporte ferroviário vai receber nos próximos anos virá da nova fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3), que destinará R$ 94,2 bilhões para esse modal até 2026. Mas a expansão da malha pode movimentar ainda mais recursos e impactar bastante a logística do país, tendo em vista a realização de investimentos privados por meio de contratos de autorização, gerando R$ 220 bilhões em obras. Com a união de diferentes instituições em torno da qualidade do setor, incluindo o transporte metroviário, essa expansão tem tudo para ser mais sólida.

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Qualidade é questão chave para a expansão sustentável da malha ferroviária

“O que falta ao setor ferroviário é ter um desenvolvimento perene e não aos solavancos. Houve uma época em que o Brasil tinha uma indústria bem estruturada. Mas acabamos perdendo a pujança dessa indústria. O segmento era praticamente todo estatal e com a privatização acabou ocorrendo um certo desinvestimento. Agora há uma retomada dessa indústria e o mais importante é que seja pelo caminho correto da qualidade”, defende o presidente do IQF, Sérgio Inácio Ferreira, que é também pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Um dos trunfos do IQF é a união de entidades que representam a indústria do setor. Além do Clube, participaram da fundação do instituto a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), a Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (ABENDI), a Associação Latino-Americana de Ferroviária (ALAF Brasil), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico Ferroviário de Minas Gerais (NDF/MG) e o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (SIMEFRE), além de instituições de ensino e pesquisa como a Unicamp e a COPPE/UFRJ.

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Setor ferroviário apoia a criação do IQF

A busca da qualidade é sempre um fator de alta respeitabilidade junto à sociedade, mas para que esse padrão seja alcançado é preciso mais do que uma boa percepção do público com relação aos serviços metroferroviários. É necessário se estabelecer parâmetros amplamente aceitos e mensuráveis para que os produtos e equipamentos sejam avaliados de forma objetiva e a certificação tenha aceitação. Não é à toa que o IQF já tem tratativas com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Inmetro para a adequação de sua certificação.

Com tantas associações de fabricantes presentes e o apoio de instituições acadêmicas e técnicas, o IQF tem todas as condições de repetir o sucesso de entidades que têm a mesma finalidade em outros setores, como o Instituto de Qualidade Automotiva (IQA). No entanto, a instituição ainda tem uma fase inicial de consolidação pela frente a fim de reforçar junto à sociedade seus propósitos. Um dos pontos que precisam ser reforçados é que o instituto não concorre com as instituições de pesquisa pela disputa de verbas voltadas para a ciência e tecnologia, que são carimbadas. Também não é o objetivo do IQF aumentar custos na cadeia produtiva, nem estimular o protecionismo.

Isso não impede o Instituto de ser um instrumento de estímulo à inovação tecnológica do setor, de atuar com o objetivo de incentivar atividades educacionais e de capacitação, bem como de realizar publicações de caráter técnico-científico.

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Diretor de Atividades Técnicas do Clube, Alexandre de Almeida

“O melhor estímulo para se desenvolver uma indústria local é a padronização. Na medida em que um projeto necessita de uma determinada qualidade, é preciso mensurar os níveis para uma concorrência justa, seja entre produtos nacionais seja na comparação com importados. Não vale a ideia de que o importado é sempre melhor. É preciso se adotar parâmetros claros e objetivos”, argumenta o diretor de Atividades Técnicas e chefe da Divisão Técnica de Ciência e Tecnologia (DCTEC), Alexandre de Almeida, que participou do ato de fundação do IQF.

Além da retomada dos investimentos, o setor metroferroviário vive uma fase mais promissora diante da necessidade de se reduzir as emissões de CO2, que são maiores no transporte rodoviário. Comprovadamente o transporte sobre trilhos é mais eficiente e tende a apresentar custo de frete mais baixo. No entanto, sem a devida padronização e integração, acaba perdendo a competitividade. O IQF, que tem como patrono o vice-presidente da República e ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também poderá aumentar a força política do setor e até orientar tecnicamente novos projetos, como o trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo.

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Ferrovias apresenta vantagens em relação a outros modais

Na prática, toda a sociedade tende a ganhar com o sucesso da proposta do IQF. Fabricantes terão melhores referências de qualidade, operadoras poderão comprar produtos mais seguros, empresas contarão com um modal mais eficiente para a operação de sua logística, e a população tende a ser melhor atendida na entrega de suas mercadorias e em novas alternativas de transporte de passageiros. 

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