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Neoindustrialização do Brasil exige empenho máximo de diversas áreas da Engenharia

Neoindustrialização do Brasil exige empenho máximo de diversas áreas da Engenharia

O presidente Lula apresenta a nova política industrial. Crédito: Ricardo Stuckert/PR
Neoindustrialização do Brasil exige empenho máximo de diversas áreas da Engenharia
Tragédia gaúcha

Missões e metas estabelecidas pelo governo precisam da contribuição de profissionais de várias especialidades dessa atividade, segundo presidente do Clube, Márcio Girão

O processo de neoindustrialização que começa a ser desencadeado pelo Brasil passa pelo cumprimento de seis missões envolvendo diversos segmentos da economia. Em comum entre as metas, o fato de dependerem das Engenharias para serem realizadas. Para explicar como a atividade é fundamental para a realização de um projeto de tamanha envergadura, o presidente do Clube e assessor da Presidência da FINEP, Márcio Girão, participou do programa Encontros com Tecnologia. Foi uma oportunidade para o público desse evento, realizado pela entidade há três anos, aprender mais sobre as habilidades necessárias aos engenheiros e de como elas precisam estar integradas às inovações criadas pela ciência.

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Crédito: Pixabay

O objetivo do plano da Nova Indústria é fortalecer as cadeias produtivas industriais que apresentam maior potencial de crescimento, de geração de empregos de qualidade e que podem assim melhorar as condições socioeconômicas do país e proporcionar uma inserção internacional de maior protagonismo ao Brasil. O projeto visa a estimular a produção de itens de maior valor agregado, sem prejuízo de outras atividades pujantes da economia, que podem até se beneficiar da maior oferta de insumos e de demanda, como é o caso do agronegócio.

“Foi depois de várias reuniões, que se chegou a um conjunto de seis missões, que vão ajudar no desenvolvimento do Brasil e determinar a política industrial brasileira. Entre os aspectos que vão ser influenciados, há a questão da justiça social, com a diminuição das desigualdades em nosso país. Tudo isso faz parte de um bojo que inclui também o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  Temos que observar onde entram as Engenharias nessas missões”, explicou Girão.

O projeto, elaborado sob o crivo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), prevê a destinação de R$ 600 bilhões até 2026 para projetos voltados para a neoindustrialização, mas a iniciativa prevê desdobramentos até 2033. Os recursos virão em sua maior parte de financiamentos do BNDES, mas estão incluídos subsídios e investimentos federais diretos, bem como recursos da FINEP. No entanto, todo o processo de recuperação do rumo industrialista também está sendo estimulado pelas ações previstas no PAC 3, cujo orçamento total é de R$ 1,7 trilhão, além de mudanças no sistema de compras públicas, que estimulem a produção e o conteúdo nacionais.

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Engenharia Agronômica tem muito a contribuir com a Nova Indústria. Crédito: Pixabay

Ponto a ponto, o presidente do Clube esmiuçou o plano, a começar pela Missão 1, que trata das Cadeias Agroindustriais Sustentáveis e Digitais. É um propósito, cujo sucesso depende da contribuição de várias áreas da Engenharia, como a Ambiental, que atua no sentido da conservação dos recursos naturais e do uso racional deles, bem como a de Software, entre outras. É uma vertente que tende a estimular a produção de fertilizantes e outros insumos para a agricultura dentro do país.

O outro aspecto do desenvolvimento industrial a ser beneficiado é o da Missão 2, que trata do Complexo Econômico e Industrial da Saúde. Além do incremento na produção de insumos para medicamentos, está em jogo aprimoramentos nos tratamentos e exames, além de melhorias logísticas, e ao contrário do que possa parecer, é um encaminhamento que só será consolidado com a atuação da Engenharia. Áreas como Software, Produção, Sistemas de Informação, entre outras, estão no rol das especialidades a serem requeridas pelo programa federal. 

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Inovação a serviço da sociedade. Crédito: Pixabay

A Missão 3 é outra que depende em muito das Engenharias para se concretizar. É a que engloba a Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade Sustentáveis, entre outras. São benefícios que também dependem da Engenharia e em que entram em cena as áreas Civil e de Urbanismo, sem as quais as soluções de transporte de massa não se concretizam, não se constroem espaços de lazer, nem pontes ou viadutos. 

Girão também tocou na Missão 4, que prevê a Transformação Digital da Indústria. Mais do que aspectos científicos e teóricos, para se alcançar os resultados esperados nesse segmento será preciso mobilizar engenheiros, de especialidades como Manutenção, Software, Telecomunicações, entre outras. São mudanças que podem dotar as instalações industriais brasileiras da chamada tecnologia 4.0, muito ancorada no uso de sensores e de dados para tornar os processos mais eficientes, implementar uma manutenção preditiva e ganhar produtividade.

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A Nova Indústria Brasil inclui seis missões com esforços até 2033. Crédito: José Paulo Lacerda/CNI

A Missão 5, Bioeconomia, Descarbonização e Transição e Segurança Energética, também envolve áreas da Engenharia. Para que o país avance no sentido da produção de energia renovável, usinas eólicas e solares são necessárias e com elas vem a reboque o trabalho de engenheiros civis e elétricos. A utilização da biomassa é outro método promissor, mas sem os engenheiros químicos não há sentido pensar na expansão desse setor.

Por último, entra a Missão 6, que trada das Tecnologias de Interesse para a Soberania e a Defesa Nacionais. São sistemas que vão demandar o emprego de  engenheiros de diversas especialidades, como Espacial, Naval, Eletrônica, Telecomunicações, entre outras. Terão impacto sobre o monitoramento de todo o território nacional, incluindo a plataforma continental marítima.

“Qualquer área onde a tecnologia atua, sem ciência, sem inovação e sem Engenharia não há desenvolvimento. O desafio do nosso país hoje é, portanto, a integração da inovação com a Engenharia. Esse é o gargalo do Brasil, que destruiu na década de 1980 a Engenharia de Projetos, onde as ideias inovadoras viram produtos. E agora o lavajatismo destruiu as grandes empreiteiras. Então, a nossa Engenharia foi atacada por todos os lados”, resumiu Girão.

Para a conselheira vitalícia do Clube, Fátima Sobral Fernandes, que coordena o Encontros com Tecnologia, a proposta de neoindustrialização deve exigir por parte das instituições de ensino uma formação que inclua novas habilidades, tendo em vista uma Engenharia de pessoa para pessoa. “A Engenharia é uma arte de se resolver problemas relativos às pessoas, mas ela também é feita por pessoas”, disse a conselheira.

O programa foi enriquecido com a participação do público, que apresentou perguntas ao palestrante. Na visão do conselheiro Jorge Copello e do vice-presidente do Clube Márcio Patusco, o principal gargalo do projeto será seu gerenciamento. “Como se implementa um plano dessa envergadura e se gerencia como um todo? Há preocupação também que as missões se entrelaçam de alguma forma”, disse Patusco.

Girão reconheceu o desafio de gerenciamento, mas acredita que com um nível mais profundo de detalhamento das missões, será mais fácil encontrar a forma como as metas se relacionam e como melhor cobrar e monitorar as ações. Trata-se de uma oportunidade única para o país, que não pode ser desperdiçada.

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