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Coppe e Universidade de Saga iniciam parceria para o projeto Blue-Otec

Professora Suzana Kahn assina o memorando de entendimento com o IOES/Universidade de Saga

Unidade da UFRJ assina memorando junto com instituição japonesa para realização de pesquisa envolvendo a conversão de energia térmica dos oceanos em energia elétrica

A Coppe/UFRJ e o Instituto de Energia Oceânica (IOES) da Universidade de Saga assinaram nesta segunda-feira, 9 de outubro, um memorando de entendimento (MOU) para o projeto Blue-Otec, voltado para a conversão de energia térmica dos oceanos em energia elétrica (ocean thermal energy conversion), aproveitando o potencial da costa brasileira, que pela vastidão de seus recursos é conhecida como “Amazônia Azul”.

O convênio com a universidade japonesa busca aplicar a experiência da planta onshore de Kumejima, em operação há nove anos, para a calibração de uma planta digital para gerar 100 KW a 1 MW offshore no Brasil. O projeto liderado pelo professor Joel Sales Jr., do Programa de Engenharia Oceânica (PEnO), será desenvolvido no Laboratório de Ondas e Correntes (LOC) e envolverá também o Polo Náutico da UFRJ e o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) da Coppe. Consolidada a planta piloto, o objetivo seguinte seria um projeto capaz de gerar até 100 MW.

O memorando foi assinado pela diretora da Coppe, professora Suzana Kahn, e pelo diretor do IOES, professor Yasuyuki Ikegami. A diretora da Coppe destacou a importância da parceria. “Acho sempre muito produtivo reunir instituições de países diferentes trabalhando conjuntamente, isso nos torna melhores. Nosso ex-diretor, professor Edson Watanabe, já foi condecorado pelo governo japonês. Temos uma relação próxima. E este memorando vem em um momento muito apropriado pois a Coppe está reorganizando nossas áreas de expertise, buscando a transversalidade, como é o caso da economia azul. E o Programa de Engenharia Oceânica é onde podemos melhor abrigar esta nova área de expertise”, afirmou a diretora da Coppe, professora Suzana Kahn.

Segundo o diretor do Instituto de Energia Oceânica (IOES/Universidade de Saga), professor Yasuyuki Ikegami, a tecnologia é economicamente competitiva, com 100 MW, é uma questão de escala. “A Otec é uma tecnologia estável 24h, e não apenas produz eletricidade, nós produzimos hidrogênio, água potável, amônia. Podemos fazer uma instalação de uso híbrido e ganhar escala. A Coppe é uma instituição de nível top em tecnologia offshore e nosso instituto é nível top em Otec, então essa união de competências pode levar-nos a uma liderança global”, comentou o professor Ikegami.

Segundo o professor Joel Sales, o conceito é antigo, mas para implementá-lo é preciso tecnologia. “A Universidade de Saga tem duas plantas em funcionamento, uma dentro do IOES, que gera 30 KW, faz dessalinização e é usada também para desenvolver equipamentos, e outra em Kumejima. O grande desafio tecnológico está nos equipamentos, principalmente nos trocadores de calor, que precisam ser muito eficientes. O mesmo para a turbina e o fluido de trabalho que inicia o ciclo”, explica o professor Joel Sales.

De acordo com o professor da Coppe, a cooperação dará suporte nessa experiência de ajuste fino dos equipamentos. “Eles identificaram no Brasil esse know how de mais de 40 anos no setor offshore, que nos tornou líderes no projeto de estruturas flutuantes, ancoragem e do próprio duto que precisará trazer a água gelada do fundo do mar. Este é o maior desafio para uma usina de alta potência, pois precisa ser um tubo de diâmetro muito grande que trabalhará com grande volume de água”.

“A Universidade de Saga vai nos ajudar a desenvolver a planta, vamos ajudar no desafio da plataforma flutuante mais o duto, e precisaremos de parceria com as operadoras de petróleo que têm esse know how nos dutos e capacidade de investimento. Já temos conversas avançadas”, antecipa o professor, que acrescenta que a costa brasileira é um dos lugares com maior potencial para Otec no mundo, devido à estabilidade das temperaturas da superfície e do fundo do mar ao longo do ano.

Conforme explica o professor Joel Sales, o princípio básico é o Ciclo de Rankine, no qual um fluido de trabalho ao ser vaporizado impulsiona uma turbina, e depois é condensado novamente. A vaporização e a condensação ocorrem em dois trocadores de calor, o primeiro sendo um aquecedor e o segundo sendo um condensador. O aquecedor troca calor com a água “quente” da superfície do mar, enquanto o condensador troca calor com a água “fria” do fundo do mar.

A assinatura do memorando inicia o processo de estabelecimento de uma parceria entre a UFRJ, através da Coppe, e a Universidade de Saga. Também estiveram presentes à cerimônia a diretora de Tecnologia e Inovação, professora Marysilvia Ferreira; o diretor-adjunto de Assuntos Acadêmicos, professor Thiago Ritto; o coordenador do LOC, professor Antonio Carlos Fernandes; e o professor Joel Sales Jr, coordenador do projeto.

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