Diretora da Escola Politécnica da UFRJ faz esclarecimentos sobre reestruturação do curso de Engenharia

Em entrevista ao canal do CREA-RJ, Cláudia Morgado desmente fake news e explica a necessidade de modernização do ensino

A discussão sobre a modernização do currículo do ensino de Engenharia pela Escola Politécnica da UFRJ vem sofrendo com a difusão de fake news e desinformação. Para dar fim aos boatos e explicar o real contexto da reestruturação que está em estudo, a diretora da instituição e conselheira do Clube de Engenharia, Cláudia Morgado, deu uma entrevista para o canal do CREA-RJ no YouTube. No programa, ela mostrou a necessidade de uma atualização do conteúdo do ciclo básico, sobretudo na disciplina de Cálculo, sem que os estudantes se formem com muito atraso ou deficiências na sua formação.

No programa, a diretora explicou que a necessidade de uma modernização das disciplinas básicas, que são normalmente ministradas por docentes de outros setores da UFRJ, já é reconhecida há alguns anos. O processo teve início concretamente após o advento da resolução que instituiu as novas Diretrizes Nacionais Curriculares (DCN) de 2019.

A ideia é que o conteúdo dessas disciplinas seja mais adequado à realidade do estudante de Engenharia, apesar de estar vinculado ao caráter científico de cada área (matemática, física e química) e de ser uma contribuição vinda de outros institutos e não da própria Escola. Há também a necessidade de o método de ensino se adequar às novas tecnologias digitais, que já são de uso corrente entre os jovens. Integrar o aprendizado com formas de aplicação dos conhecimentos é outro desafio.  

“Ainda estamos com aquela aula presencial com carga horária excessiva e pouco atrativa para os alunos. Queremos que o mesmo conteúdo ou até com mais aprofundamento seja dado de uma forma mais acorde com a geração de hoje, que tem um celular na mão com uma computação que nem o foguete que levou o homem à Lua tinha. Por isso, temos que modernizar os cursos de Engenharia porque a nova geração é muito mais antenada, articulada e digital. Temos que modernizar para atingirmos as metas de desenvolvimento industrial, econômico e social necessárias para o Brasil”, explicou a diretora Cláudia Morgado, que também preside o Fórum Nacional de Instituições de Ensino.

Grande parte da confusão surgiu em virtude do projeto do curso de reforço de Cálculo André Rebouças, voltado para alunos cotistas. Essa disciplina é considerada uma das que mais reprova graduandos de Engenharia e as aulas extras vieram para combater o problema. Motivados por preconceitos que não deveriam existir mais no país, setores da universidade usaram as redes sociais para espalhar notícias falsas de que estaria em curso um processo para facilitar a aprovação dos alunos que ingressaram pelo sistema de cotas, o que foi categoricamente desmentido pela diretora na entrevista.

Na conversa, a diretora também comentou sobre a possibilidade de parte do currículo ser dado em aulas à distância e sobre a contribuição que o material didático digital tem dado para o ensino.

“Quando se fala na mídia que vai haver uma reforma no Cálculo da UFRJ, tem que ser lida da seguinte forma: vai ter novidade, inovação, modernização e qualidade. E não pensar que vai ter alguma fragilidade. Isso é ir contra a credibilidade e a confiança que a sociedade brasileira tem há séculos na Escola Politécnica”, garantiu a diretora.

Assista aqui a íntegra da entrevista:

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