Editorial: Vacina ainda que tarde

Vacina ainda que tarde

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Na sombra da marca de 220.000 mortos e da velocidade dos ventos neoliberais na economia política varrendo o planeta, acreditar que o mercado de compra e venda de insumos e vacinas poderá suprir à demanda de todos os países é uma temeridade. O mercado e as empresas farmacêuticas não têm demonstrado interesse em resolver a questão da distribuição equitativa dos antídotos da pandemia. O sistema internacional de propriedade industrial e intelectual cria obstáculos à cópia e quebra de patentes por países que as podem justificar por interesse coletivo ou razões pandêmicas. Um (possível) agravamento do quadro de contaminação os levaria e às empresas produtoras daquelas armas e técnicas de fabricação ao uso de critérios seletivos de natureza política, além de econômica, na sua venda ou distribuição.

Os recentes percalços nas compras de vacinas e insumos na Índia e China o demonstram.

É sabido que há competência nos laboratórios de bioquímica nacionais para produzir vacinas e em particular desenhar e produzir a anti-Covid19. Esta última apresenta o complicador de exigir laboratórios equipados para oferecer condições de trabalho com vírus altamente contagiosos (os NB 3 e 4). Questões, no entanto, que dependem apenas dos investimentos públicos necessários para resolver o problema.

Se os recursos das agências federais são insuficientes (apesar do projeto de vacina Covid 19 representar menos de 1/10 dos bilhões necessários para comprar as vacinas no mercado internacional) há também disponíveis os recursos estaduais das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPS) que podem ser somados a eles. As atuais prioridades na alocação dos escassos recursos para pesquisa podem e devem ser reformuladas em função dos imperativos éticos que a sombra dos 220.000 mortos mais ilumina.

Devemos sim pensar em projetos que em prazos curtos nos tornem independentes na produção de vacinas. As razões pandêmicas presentes são agravadas por possíveis cenários futuros, sombrios.

Devemos lembrar que na Amazônia estão presentes vírus contaminantes, muito pouco estudados, cuja difusão é favorecida por desequilíbrios ambientais induzidos por queimadas. Desmatamentos provocados por agentes econômicos e políticos pouco atentos às recomendações constitucionais de conservação e defesa do meio ambiente e dos interesses coletivos.

Precisamos de “vacinas” também para nos proteger de agentes desagregadores que tanto têm contribuído para a difusão do covid. Enquanto a sociedade clama por vacinas, “laboratórios” na contramão dos demais países no mundo não só não combatem o vírus, como criminosamente insistem em ter as portas abertas para, com seus antídotos e mensagens, favorecer a contaminação.

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Bio: Diretoria do Clube de Engenharia.

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