Galeão cai para o décimo lugar no ranking nacional

Dados da Anac, divulgados pelo jornal O Globo, mostram que o maior aeroporto do Rio sofre com o esvaziamento

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), divulgados nesta terça-feira (11/04) pelo jornal O Globo, mostram que o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), vem perdendo posições no ranking nacional nos últimos anos. Entre 2019 e 2022, ele caiu de 4º para 10º em número total de passageiros no país. De acordo com o levantamento, no ano passado, foram transportados pelo terminal aeroportuário 5,7 milhões de passageiros, o que representou apenas 3,19% do movimento nacional.

O esvaziamento do Galeão vem ocorrendo em grande parte devido ao aumento no número de voos do Santos Dumont. Segundo os dados divulgados, o aeroporto do Centro do Rio atingiu em 2022 o máximo de sua capacidade, com embarque e desembarque de quase 10 milhões de pessoas, ficando em 5º lugar no ranking. Além dos transtornos causados aos usuários pela superlotação, a concentração de rotas nesse equipamento mais reduzido tira a importância do aeroporto da Ilha do Governador como hub nacional e prejudica a economia do estado como um todo.

A Infraero chegou a divulgar recentemente plano para ampliar a capacidade do Santos Dumont para mais de 15 milhões de passageiros por ano. A ideia foi imediatamente rechaçada pelas autoridades locais, como o prefeito Eduardo Paes, e pelo ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, que chegou a postar em sua conta no Twitter a seguinte mensagem: “De pronto, determinamos que a operação do Aeroporto Santos Dumont neste ano terá uma redução em relação ao número registrado em 2022 e ficará abaixo de 10 milhões de passageiros em 2023”.

Autoridades da esfera federal, estadual e municipal vêm discutindo uma forma de limitar o número de voos do Santos Dumont e com isso transferir movimento para o Galeão. A iniciativa pode ser um passo inicial para a retomada desse importante equipamento que possui a maior pista do país e já foi a principal porta de entrada do Brasil, mas sem melhorias viárias e de segurança nos acessos à ilha do Governador as medidas certamente não terão o mesmo efeito, devido aos engarrafamentos e assaltos nas vias expressas. A construção de um novo acesso através de transporte público por trilhos (metrô, trem ou VLT) também é defendida por especialistas.

Firjan

Paralelamente ao debate entre órgãos e autoridades da esfera pública, a iniciativa privada também se mobiliza pela revitalização do Galeão. Estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estados do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que o Rio poderia ter um crescimento do seu PIB de 0,6%, caso fosse adotado um modelo de gestão conjunto dos dois aeroportos.

A entidade da indústria fluminense defende a adoção do chamado “Modelo Rio”, em que haveria uma coordenação operacional das duas estruturas aeroportuárias. Com isso, estima-se que o estado ganharia incremento de R$ 4,5 bilhões por ano em seu PIB. Atualmente, o Galeão é administrado pela Changi, empresa de Singapura, enquanto que o Santos Dumont continua sendo controlado pela estatal Infraero. A Firjan defende a realização de uma nova licitação para a concessão conjunta dos dois aeroportos, que só assim deixariam de competir entre si.

“(…) cerca de 80% da oferta de voos nacionais do SMA do Rio de Janeiro se concentram no SDU, prejudicando a conectividade do aeroporto internacional e, consequentemente, da capital fluminense. Cabe ressaltar que a viabilidade de voos internacionais está relacionada à sua conectividade com a malha aérea doméstica, sendo necessários, em média, seis voos domésticos para cada internacional”, diz trecho do estudo.

Na avaliação da Firjan, sem voos nacionais, o Galeão deixa de ser atrativo para as companhias internacionais que o usavam como hub e distribuidor de passageiros para outros estados. Além de prejudicar o turismo do estado, a falta de centralidade também afeta a indústria, que fica sem os produtos de alto valor agregado transportados nesses voos.

“Portanto, a descoordenação operacional no SMA (Sistema Multiaeroportos) do Rio de Janeiro afeta negativamente a logística de cargas fluminense. Ressalta-se que, como exposto, cerca de 25% do total importado pelo estado entram pelo Galeão. Logo, a perda de conectividade do aeroporto tende a prejudicar empresas que dependem do modo aeroviário, como as dos segmentos farmacêutico, petroquímico e de máquinas e equipamentos”, conclui o estudo.

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