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Livro investiga as contradições entre a República e os ideais republicanos

Historiador Lincoln Penna lança obra em que faz um balanço da herança de mais de 130 anos do atual regime político brasileiro

O professor e historiador Lincoln Penna acaba de lançar o livro “Qual República Queremos? — Diálogos Passado-Presente no Brasil de Hoje” (Editora Autografia). Na obra, ele aprofunda sua análise das contradições entre os ideais republicanos e a realidade socioeconômica do país. Diferentes modelos e concepções entraram em voga antes e depois da Proclamação do regime que derrubou a Monarquia, mas pouco se avançou no sentido da transformação do Estado na verdadeira “coisa pública”, para fazer jus ao nome do sistema vigente.

Lincoln Penna, que é vice-presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (IBEP), está entre os poucos intelectuais que não caem na tentação do saudosismo monarquista nem se deslumbram com as promessas propaladas pelos políticos republicanos. Sua análise crítica coloca em relevo a situação dos povos originários, o autoritarismo, e as desigualdades socioeconômicas, sem fechar os olhos para as mazelas do país. O livro, entretanto, não é resultado de um radicalismo ideológico, tanto que o título traz uma pergunta, estimulando um debate muitas vezes evitado no país.

“Há uma contradição entre a res pública e a res privada. Enquanto essa res privada tiver ainda muita ascendência na nossa sociedade , a res pública fica sempre à margem e não se consolida enquanto ideal republicano, como foi pensado pelos grandes ideólogos e sonhadores desse regime”, argumente Penna, que usa como referência a origem latina da palavra “república” (res publica ou “coisa pública”, em português)

O lançamento do livro foi marcado por uma série de eventos realizados no fim deste ano, entre eles um debate promovido pelo Clube de Engenharia e o IBEP. Dele participou o sociólogo Aluízio Alves Filho, que saudou a contribuição da obra para o debate sobre políticas públicas nacionais num momento tão crucial da história.

“Os conhecimentos sobre as especificidades da formação social brasileira destacados no livro são fundamentais para o entendimento do que é caracterizado como a fragilidade da República e da ordem democrática do país”, observou o sociólogo. 

O jornalista e ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral participou também do debate e ressaltou que as contradições começam com o próprio lema presente na bandeira nacional: Ordem e Progresso.

“O Lincoln lembra que nossa grande herança da construção da República, sem termos construído o republicanismo, foi a importação do autoritarismo. Começaram defendendo a ordem que impede o progresso”, afirmou Amaral. 

Nesta entrevista ao Fronteira Vermelha, o historiador comenta mais sobre a obra:

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