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Mercadante defende criação de programa latino-americano de enfrentamento a desastres climáticos

Presidente do BNDES falou sobre a proposta em encontro em Fortaleza (CE)

Diante de executivos de instituições financeiras de mais de 20 países, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta quarta-feira, 15, em Fortaleza, a construção de um programa para tratar dos desastres naturais, estudar sugestões de solidariedade e buscar novos instrumentos para capturar recursos e bônus verdes. O objetivo é apoiar a reconstrução das estruturas públicas e de desenvolvimento dos países latino-americanos diante de catástrofes do clima.

A proposta foi lançada durante sessão inaugural da 54ª Reunião Anual da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Alide), que segue até sexta, 17, na sede do Banco do Nordeste (BNB), na capital cearense. Também participaram do evento, os presidentes da Alide, Luis Antonio Ramírez, do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara e o governador do Ceará, Elmano de Freitas.

“Ano passado socorremos (o BNDES) uma seca gigante no Rio Grande do Sul e, logo na sequência, uma enchente. Este ano, o Estado está embaixo d’agua com 90% de sua indústria inviabilizada, no maior desastre climático documentado na história do Brasil. Ao mesmo tempo, tivemos a maior seca na Amazônia”, disse Mercadante.

53723118941_c38154ee41_kBanco do Nordeste / Flickr. Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante

Tendo como exemplo as medidas anunciadas pelo BNDES de apoio ao Rio Grande do Sul, que envolvem a suspensão de pagamentos de dívidas e alavancagem de crédito, Mercadante destacou que os bancos de desenvolvimento da América Latina e Caribe têm a tarefa de atuar de forma coordenada na redução de impactos ambientais e desigualdades sociais, aproveitando uma janela de oportunidade. Ele lembrou que o Brasil, líder do G20, possui vantagem comparativa estrutural, com ampla matriz de energia limpa e renovável. “De 88% a 92% da nossa matriz energética é limpa, é renovável. Nossa matriz de transporte, 49%, é renovável, que é o etanol, estamos no etanol segunda geração”.

“Não podemos ser só um encontro anual, em que a gente troca experiência. Acho que a opção é fortalecer muito mais essas estruturas para dar conta do desafio histórico que a América Latina está enfrentando. Como é que a gente compartilha experiência para reestruturar a região, para atrair investimento, para descarbonizar, para impulsionar a transição energética?”, provocou Mercadante.

Segundo o presidente do BNDES, o programa funcionaria como um núcleo específico para a região, a exemplo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) brasileiro, responsável pela prevenção e gerenciamento da atuação governamental perante eventuais desastres naturais, com atuação também em reestruturação e revitalização.

Em sua fala, Luis Antonio Ramírez destacou que desenvolvimento face aos atuais desafios globais é de extrema relevância para os momentos que vivemos. “Em contexto internacional, marcado por incertezas e instabilidades, torna-se ainda mais relevante que as instituições financeiras de desenvolvimento unam forças e busquem soluções inovadoras para superarmos os obstáculos e construirmos um futuro mais próspero para os nossos povos”.

A análise de novas tendências ambientais e necessidades de crédito para a inclusão produtiva são parte da discussão sobre investimentos dos bancos de desenvolvimento para lidar com as mudanças climáticas.

Em sessão plenária com representantes do Banco Europeu de Investimento (BEI), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), a superintendente de Investimentos Sustentáveis do BNDES, Luciana Tito, ressaltou que a questão socioambiental é “pedra fundamental” nas atuações do Banco, que se orienta também pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Para ela, os bancos de desenvolvimento – em cooperação com o setor privado – são fundamentais para a transição verde, mas ainda faltam recursos: “Nós temos hoje uma deficiência de US$ 4 trilhões para a questão climática. Então, é fundamental que os bancos de desenvolvimento se unam para ações de mitigação e reparação de danos para emergências climáticas, como a que vivemos agora no Rio Grande do Sul”, explicou.

À tarde, durante painel “Coalizão Verde de Bancos Públicos de Desenvolvimento para a Região Amazônica: Desde Belém até Belém”, com representantes do Banco Agrário da Colômbia, da Corporação Nacional de Finanças Populares e Solidárias do Equador (CONAFIPS), do Banco de Desenvolvimento Produtivo da Bolívia (BDP) e da Caixa Econômica Federal, o chefe do Departamento de Relações Internacionais e com Investidores do BNDES, Paulo Roberto Araújo, lembrou do histórico de construção da Coalizão Verde, que reuniu 17 instituições financeiras de desenvolvimento regionais mais 3 parceiros internacionais para financiamento de projetos sustentáveis na Amazônia: “O nosso objetivo é chegarmos à COP 30, em Belém, com desenhos de mecanismos para apoio às ações de sustentabilidade.”

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