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Mulheres precisam mais do que igualdade salarial

Vice-presidente do Clube Maria Alice Ibañez Duarte

Em virtude das comemorações pelo Dia Internacional das Mulheres, entidades realizam evento para debater a consolidação das conquistas feministas e avanços necessários para o respeito ao direito de todas

Por conta das comemorações do Dia Internacional das Mulheres, o Clube de Engenharia, em conjunto com a organização Engenharia pela Democracia (EngD) e a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA) Nacional organizaram um debate sobre a igualdade de condições entre os gêneros. Foi uma oportunidade para se aprofundar a discussão sobre os direitos feministas, não só do ponto de vista econômico, mas também das condições de vida como um todo. Na visão dos palestrantes, mais do que salários condizentes com as funções que as mulheres exercer, é preciso maior respeito tanto em casa quanto no trabalho.

A mesa redonda “Igualdade de Salários e Oportunidades para as Mulheres: a Lei e a sua aplicação” foi aberta pelo presidente do Clube, Márcio Girão. Ele ressaltou a importância de se dar o devido valor às mulheres, que precisam viver em condições de dignidade.

“Esse não é apenas um debate sobre salário. É uma discussão também sobre respeito e dignidade social. A disparidade salarial entre gêneros persiste como uma chaga aberta, evidenciando a continuidade de uma discriminação arraigada e persistente. E também perpetua o estereótipo de gênero, impedindo o progresso em direção a uma igualdade efetiva”, afirmou Girão.

O coordenador geral da EngD, Paulo Massoca, também ressaltou que a luta por respeito aos direitos das mulheres vai além da remuneração pelo trabalho. Ele citou as agressões que elas sofrem e defendeu maior mobilização da sociedade civil em prol de maior respeito para elas.

“Esse movimento não vai se restringir ao evento e às comemorações do mês, mas vai durar todo o ano. Destaco o protagonismo das companheiras pela igualdade de oportunidades, mas isso depende de ampla organização”, destacou Massoca.

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A escritora Amelinha Teles aproveitou o momento para lembrar outra data importante do mês de março, que também foi marcado pelos 60 anos do golpe cívico-militar de 1964. Segundo ela, o debate sobre a igualdade de gênero é fruto da democratização, mas ao mesmo tempo evidencia o quanto o país tem que avançar no sentido da democracia plena, já que direitos fundamentais ainda não estão garantidos na prática.

“Bandeiras de igualdade mostram que a democracia ainda não se concretizou no plano social e econômico, e temos ainda ameaça de golpes”, frisou a escritora.

Medidas práticas precisam ser de fato tomadas além das legais. A Lei 14.611/2023, sancionada há um ano pelo presidente Lula, prevê multa para as empresas que desrespeitarem o princípio da igualdade de salários, conforme explicou a palestrante Carmen Petraglia, mas a punição não resolve todos os problemas. Ela citou o exemplo do Programa Mulher do Confea, que nos últimos anos foi responsável pelo aumento no número de profissionais do sexo feminino registradas no sistema. Os Creas também já adotaram em sua totalidade programa semelhante em seus estados. Ela também mencionou o fato de as mulheres serem prejudicadas pela dupla jornada, ao serem sobrecarregadas no serviço doméstico, e lembrou que a formação também tem que estar voltada para a ocupação das carreiras do futuro.

“A preparação da mulher para as profissões do futuro tem que ser a nossa meta. Porque assim nós daremos um salto. Queremos ocupar os espaços, mas para isso temos que estar preparadas”, ressaltou a conselheira.

A economista Hildete Araújo fez uma análise história da situação da mulher no Brasil para contextualizar as causas da desigualdade e mostrar o quanto estão enraizados os preconceitos, que até hoje fazem da educação das meninas um adestramento para funções de cuidadoras. Isso se reflete nas profissões ocupadas pelas mulheres, que acabam ainda afastadas das funções mais tecnológicas e se concentram em trabalhos educacionais e assistenciais.

“As carreiras masculinas e femininas não são iguais. As mulheres fazem uma trilha profissional diferente da dos homens. Por conta de que as mulheres têm uma vida mais dura, tem os trabalhos com os cuidados com a família, acabam também não atingindo o ápice profissional”, explicou a economista.

A mesa redonda contou com a intermediação da vice-presidente do Clube, Maria Alice Ibañez Duarte, e da vice-coordenadora da EngD, Cládice Diniz, marcando a presença feminina no evento. Diretoras do Clube também deram depoimentos, contando sobre suas trajetórias de vida e de como superaram dificuldades para conseguirem colocações e serem respeitadas.

A diretora de Atividades Técnicas, Tatiana Ferreira, fez uma homenagem à sua mãe e lembrou que as mulheres precisam de condições de igualdade também para empreenderem.

“Apesar de todas as adversidades, temos mulheres trabalhadoras e empreendedoras brilhantes no nosso país, mostrando ao mundo que somos capazes de liderar, mudar e prosperar”, disse Tatiana.

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A diretora de Atividades Administrativas, Marlise de Matosinhos Vasconcellos, reforçou a necessidade da busca da mudança através da formação das meninas: “Por que os brinquedos das meninas não são tecnológicos como os dos meninos? Ainda criamos as mulheres para serem donas de casa, temos que mudar isso”, indagou ela, que recitou o poema “Ser Mulher” de Bráulio Bessa.

O evento ganhou graça também através da participação da poetisa Adelina Martins, que recitou um poema de sua autoria. Nele, ela diz: “Descobri que sem nós mulheres não existirá o outro/ Não existirá você / Sem as mulheres não haverá a continuidade da Engenharia, do amanhã”.

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