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Processo contra contratação de engenheiros brasileiros pela Boeing entra em nova fase

Foto: Agência Força Aérea

Gigante americana é acusada por entidades dos setores de defesa e aeroespacial de concorrência predatória

Recentemente, a 3ª Vara Federal de São José dos Campos (SP) deu prosseguimento a processo movido por entidades ligadas à indústria aeroespacial e de defesa, que acusam a americana Boeing de concorrência predatória na contratação de engenheiros brasileiros. Depois de nove meses de tramitação, foi iniciada a fase de produção de provas e testemunhos, segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo. Trata-se de ação inédita e que envolve questões geopolíticas de interesse nacional.

O principal motivo para a ação ter sido movida foi a contratação de cerca de 400 profissionais, principalmente engenheiros,  pela gigante americana, em São José dos Campos. Do grupo, 120 eram oriundos da engenharia da Embraer, que concorre com a multinacional no mercado internacional. A ação foi movida em novembro do ano passado pela Abimde (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa) e a AIAB (Associação das Indústrias Aeorespaciais do Brasil), mas a própria Embraer apoiou a iniciativa, segundo o jornal.

No entanto, segundo o site Aeroin, apesar da alegação de concorrência predatória, a contratação de engenheiros pela Boeing estaria incomodando por “ferir acordo de cavaleiros” entre as empresas da região, que evitam elevar salários na contratação de talentos já empregados.

A Boeing chegou a fazer uma oferta pela Embraer em 2017, mas o processo de compra não foi concluído. Havia o interesse da empresa americana no capital humano da companhia brasileira, em grande parte formado por engenheiros oriundos do Instituto de Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Entretanto, a gigante americana desistiu da compra e abriu unidade na cidade do interior paulista, passando a contratar pessoal da concorrente e de outras do setor, o que gerou a revolta.

A ação quase foi transferida para a Justiça estadual, mas uma manifestação Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio ajudou a mantê-la na esfera federal. Segundo o documento citado pela reportagem, haveria risco de sangria de cérebros da chamada BID (Base Industrial de Defesa), por ser a Embraer fornecedora para o Ministério da Defesa do país.

A Boeing negou que esteja fazendo concorrência predatória. “O Brasil é parte da estratégia global, e de longo prazo, da Boeing. O Centro de Engenharia e Tecnologia da Boeing no país integra uma rede de 15 centros em todo o mundo que desenvolvem tecnologia de ponta para impulsionar a inovação aeroespacial. Hoje, cerca de 15% dos nossos 17 mil engenheiros estão fora dos EUA”, afirmou o vice-presidente sênior e estrategista-chefe da Boeing, Marc Allen.

As partes terão até o início de outubro para apresentar  provas e testemunhas no âmbito do processo.

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