Região Metropolitana do Rio comemora o título “laranja mais doce do país”

Título de Indicação Geográfica dado pelo INPI abre novos horizontes para mais de 800 agricultores

Os mais de 800 citricultores de Tanguá, Rio Bonito, Araruama e Itaboraí, estão comemorando título concedido pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), que reconheceu qualidade única das laranjas produzidas na região. Este ano iniciaram a primeira grande colheita da safra local, estimada em mais de 18.200 toneladas, com o título de Indicação Geográfica, no modelo Denominação de Origem (IG-DO), de laranja mais doce do Brasil.

A laranja da região é a primeira fruta do Estado do Rio a obter o selo. A conquista é fruto de um processo que durou dois anos, com participação do Governo do Estado do Rio, por meio das empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Rio) e de Pesquisa Agropecuária (Pesagro).

A Indicação Geográfica – equivalente à 100ª IG concedida pelo INPI, em julho do ano passado – comprova a qualidade diferenciada do produto fluminense. De acordo com os donos dos pomares, o selo já está abrindo portas para os mercados nacional e fortalecendo a economia regional, assim como o turismo rural. A revitalização do Circuito da Laranja, criado em 2010 pela Prefeitura de Tanguá, e a implementação de outros roteiros rurais, em fase de testes, são apostas.

Com apoio da Associação dos Citricultores e Produtores Rurais de Tanguá (Acipta), as famílias que sobrevivem da laranja planejam expandir seus negócios; comprar mais equipamentos e caminhões; construir uma fábrica de sucos de laranja e investir futuramente na exportação das quatro espécies que produzem: Seleta, Natal, Folha Murcha e Natal Comum, ingredientes também para alavancar o turismo rural.

A constatação de fatores naturais, que resultam numa laranja com características especiais, foi comprovada por estudos com o uso de ferramentas de geoprocessamento do Sistema de Informação Geográfica (SIG). Além do clima propício – no período de desenvolvimento dos frutos há abundância de água e na fase de maturação há deficiência hídrica, gerando a elevada doçura -, a utilização de um único tipo de porta enxerto, a escolha por áreas arenosas para plantios, o baixo uso de máquina agrícolas, castigando menos o solo, o reduzido uso de agrotóxicos, as lavouras consorciadas, a boa cobertura vegetal, a adubação orgânica e o uso de abelhas na polinização das flores do laranjal, contribuem para a formação da  “super laranja”.

Menos acidez, mais doçura

De acordo com o “Laudo de Limitação da Área Geográfica da Denominação de Origem Região de Tanguá para Laranjas”, emitido pela Secretaria estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA), o principal diferencial da laranja de Tanguá é a doçura elevada. As laranjas consideradas doces têm de 10 a 12 brix (escala para aferir a doçura de frutas). As da Região de Tanguá têm de 14 a 16 Brix.

A presidente da Associação de Citricultores de Tanguá, Alessandra Bellas, explica que, conforme estudos, além do grau elevado de Brix, as propriedades do solo regional, íngreme e rico em fósforo e potássio, nutrientes importantes para o desenvolvimento dos laranjais, influem na baixa acidez da fruta.

– Com acidez até 50% menor, conforme estudos, a sensação de doçura aumenta ainda mais – explica Alessandra.

O técnico da Emater, Herval Lopes, atesta que um conjunto de fatores transforma a laranja daquela região em uma espécie de “super fruto”.

– Contam nesse conjunto de fatores, a qualidade do solo, o relevo íngreme, o clima, com calor que predomina na maior parte do ano, e especialmente, a maneira diferenciada de cultivo, com baixo uso de defensivos agrícolas e o controle de pragas – destaca Herval.

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