Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva revê sua trajetória no Memória Oral

Considerado o pai do programa nuclear brasileiro, o conselheiro do Clube de Engenharia reviveu sua biografia em depoimento concedido ao projeto

“Na vida, nada mais fui do que um dedicado cumpridor de missão”. Assim se autodefiniu o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva em seu depoimento para o projeto Memória Oral, do Clube de Engenharia. Considerado o pai do programa nuclear brasileiro, o engenheiro militar, que é conselheiro da entidade, frisou em diversos momentos de sua fala o quanto o trabalho em equipe foi fundamental para seus feitos. Apesar de todos os feitos que alcançou na carreira, pontuou sua fala com agradecimentos aos que o ajudaram na sua jornada.

“Tudo é feito em equipe, nada se faz sozinho. Os grandes projetos dependem de como a equipe se dedica e se integra”, reforçou o almirante. Mas não há equipe que obtenha resultado sem um comandante competente. Por isso, é inegável sua contribuição decisiva para o êxito do projeto iniciado em 1979 que levou ao domínio por parte do Brasil de uma tecnologia única e própria para o enriquecimento do urânio.

O método por ultracentrifugação é invejado no mundo inteiro e também nunca deixou de gerar desconfianças, conforme o depoimento mostra também. Foi fruto de fato do trabalho integrado de mais de 600 engenheiros e de diversas instituições de pesquisa que desenvolveram processo altamente eficiente voltado para o uso pacífico. Mas a capacidade do militar de lidar com as divergências, agregar pesquisadores de diferentes tendências políticas, sem perder um norte para a missão foi fundamental.

“A minha proposta era o seguinte: não era um programa de Marinha, era um programa do Brasil. Pegar os melhores orientadores das universidades e fazer um núcleo de engenheiros novos escolhidos não por indicação política”, contou ele. “Não interessava time de futebol, religião ou o viés político”, acrescentou.

Sua grande inspiração veio de uma palestra a que assistiu nos Estados Unidos, onde fez mestrado e doutorado em Engenharia Nuclear pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology). O método americano, por difusão gasosa, era criticado por seu alto gasto de eletricidade, o que o inspirou a apostar no método a laser criado no Brasil. Hoje é realizado pela INB, em Resende, com todos os equipamentos produzidos no Brasil.

Foi um feito e tanto que colocou o país no restrito grupo de países que não só dominam todo o ciclo do enriquecimento como possui jazidas do minério.  Mais notável ainda para o militar, que nasceu no interior do Estado do Rio e nunca contou com indicações políticas, mas teve sempre o apoio de professores e outros profissionais, que reconheceram seu interesse pelos estudos e dedicação.

“Os professores são faróis que indicam a vida”, salientou ele.

O depoimento ajuda a elucidar episódios importantes da história recente do país. O almirante, que foi preso pela operação Lava Jato, mas ainda aguarda em liberdade o trânsito em julgado da acusação que sofreu. Ele prepara um livro em que dará todos os detalhes de sua vida e de sua participação no programa nuclear.

São tantos detalhes de uma trajetória de vida tão rica de experiências, que o depoimento acabou dividido em duas partes. Assista à participação do almirante aqui:

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