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ChatGPT deve impactar atividades profissionais, gerando oportunidades e ameaças

ChatGPT deve impactar atividades profissionais, gerando oportunidades e ameaças

Crédito: Pixabay
ChatGPT deve impactar atividades profissionais, gerando oportunidades e ameaças
IA - Inteligência Artificial

Assistente virtual de produção de textos da OpenAI foi tema de debate no Encontros com Tecnologia, do Clube, e vem provocando controvérsias

Desde que a OpenAI disponibilizou gratuitamente para o público em geral a ferramenta de inteligência artificial ChatGPT, no fim de novembro de 2022, sua utilização em larga escala vem causando grande impacto no mundo todo. Trata-se de um assistente virtual capaz de gerar textos a partir de perguntas feitas pelos usuários e tem surpreendido as pessoas devido à sua poderosa capacidade de fazer concatenações de palavras em diversos idiomas. 

Haverá com isso demissões em massa? A propagação de fake News vai disparar? As diferentes atividades humanas terão grande ganho de produtividade? Estas são algumas das indagações que surgiram a partir desse lançamento, que vem ocupando farto espaço no noticiário da mídia.

Para discutir os efeitos que esse robô gerador de conversas pode ter na economia e na sociedade, o Encontros com Tecnologia do Clube de Engenharia promoveu um evento com a participação do consultor e desenvolvedor Michel Ferreira de Castro. Foi uma oportunidade para o aprofundamento dos conhecimentos a respeito dessa ferramenta a partir das explicações de um especialista e para a realização de um debate sobre os impactos dessa inovação da inteligência artificial.

O palestrante esclareceu um ponto importante sobre a evolução proporcionada pelo ChatGPT com relação ao que é oferecido pelos buscares da internet, como o Google. Em vez de elencar páginas relacionadas a um tema e apontar para um trecho mais assertivo, a ferramenta da OpenAI entrega soluções prontas. Ela é capaz de elaborar e-mails completos, por exemplo, a partir de um comando. A espantosa capacidade de formulação desse instrumento coloca na tela do computador rapidamente campanhas de marketing, roteiros, contos, bem como indica fórmulas matemáticas, dá orientações de estudo e produz uma infinidade de interações.

Enquanto o Google disponibiliza uma grande quantidade de informação que precisa ser processada pelo usuário em suas tarefas, o ChatGPT entrega trabalhos já elaborados. Castro garante que os textos não são plágios, mas sim formulados a partir de centenas de bilhões de parâmetros que são processados com a utilização de uma quantidade de frases também em quantidades fenomenais, registradas pelos humanos em suas conversas cotidianas, mensagens de e-mails e toda forma de geração de dados. No entanto, a ferramenta, segundo ele, só tende a usar 30% das informações disponíveis relativas à pergunta.

O especialista fez algumas demonstrações para o público do Encontros e deixou claro que a ferramenta não é infalível ou tem a capacidade de dispensar os seres humanos. Ao contrário, a forma mais vantajosa de uso é a depuração dos resultados, seja através de checagens ou reelaboração, mas a assistência do ChatGPT tende de fato a dar maior produtividade aos profissionais e segundo Castro tende a abrir oportunidades para segmentos da população de baixa escolaridade e que precisam fazer trabalhos escritos, como por exemplo divulgar produtos ou serviços nas redes sociais.

A coordenadora do Encontros, a conselheira vitalícia do Clube Fátima Sobral Fernandes ressaltou que justamente essa capacidade de oferecer soluções prontas para demandas dos usuários gera preocupação com relação à aceitação sem a devida análise crítica por parte dos usuários, situação que se torna mais frágil justamente quando o usuário tem baixa escolaridade. Também foi questionado se haveria um viés na seleção das informações a partir de uma visão de mundo imposta pelos desenvolvedores. “Essa é uma questão importantíssima que diz respeito à necessidade de regulamentação”, avaliou a conselheira.

O presidente do Clube de Engenharia, Márcio Girão, também participou do programa como entrevistador e fez colocações como a necessidade de regulação de plataformas como essa pelo receio inclusive de uma manipulação política. “As redes sociais não tinham viés político e hoje têm. Essa é uma preocupação que devemos ter”,  destacou Girão.

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Inteligência Artificial lança desafio sobre a criatividade humana. Crédito: Pixabay

Castro afirmou que apesar da grande celeuma causada, o ChatGPT ainda tem muito a ser aprimorado e paulatinamente a humanidade vai se adaptar às mudanças provocadas por essa tecnologia e outros instrumentos de inteligência artificial. 

Teremos uma mudança muito brusca. Vai afetar de maneira positiva e negativa a sociedade como conhecemos. Toda mudança é caótica até se estabilizar, mas temos que entender para entrar nessa transformação da forma menos caótica possível”, explicou o especialista.

Muitos participantes questionaram o palestrante sobre a proteção a direitos autorais, a possibilidade de entrega de textos plagiados e o risco de estudantes deixarem de realizar seus próprios trabalhos para copiar textos dessa ferramenta. São pontos vitais de discussão e que já tomam conta da mídia, do meio acadêmico e devem alimentar os debates legislativos daqui para frente. 

A discussão sobre inteligência artificial e chatbots não se esgota num único debate. O tema é muito complexo e deve continuar sendo debatido no âmbito do Clube de Engenharia. Entre os desdobramentos que o ChatGPT está trazendo, há a disputa empresarial entre as big techs pela hegemonia nas buscas da internet. A briga afeta principalmente a Google, cujo buscador chega a ser responsável por mais de 90% das procuras feitas. Já a Microsoft, dona do Bing, rival do Google, comemora a rápida popularização da ferramenta da OpenAI e vem injetando recursos na startup. A ideia é associar seus produtos (Bing, Edge e Teams) a esse novo assistente.

A Google não quer ficar para trás e já anunciou o lançamento do Bard, um chatbot próprio que funcionaria junto com seu buscador. Com isso, as buscas ficaram mais humanizadas. Além de bilhões de dólares em publicidade que estão em disputa, a corrida tecnológica vem causando impactos éticos e sociais. Em março, grupo de cerca de 2 mil especialistas, ligados ao Future of Life Institute, assinaram carta aberta pedindo a interrupção do desenvolvimento de pesquisas na área de inteligência artificial até que os governos criem uma regulamentação adequada. A surpresa foi a adesão do empresário Elon Musk, um dos fundadores da OpenAI. Enquanto o futuro dessa tecnologia é incerto, sua relevância para a humanidade virou a principal questão enfrentada.

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O advento do ChatGPT e seu impacto reacendeu o debate sobre os perigos da inteligência artificial e os limites que precisam ser impostos para um uso mais ético e proveitoso dessa tecnologia. A discussão sobre a possiblidade desses sistemas tomarem decisões autônomas que prejudiquem a sociedade, aspecto que remete às obras de ficção científica, voltou fortemente à tona. E não é em vão, diante do potencial dela. O professor e cientista da computação Stuart Russell, da Universidade da Califórnia, autor de “Inteligência artificial a nosso favor: Como manter o controle sobre a tecnologia” (Cia. das Letras), vem alertando sobre esse perigo, que ele chama de “problema de controle”. Ele defende o atrelamento dos sistemas a valores humanos e até eventual desligamento, caso desrespeitem parâmetros seguros.

O avanço do uso da inteligência artificial também enseja o debate sobre a tendência de as pessoas abdicarem da capacidade de aprendizado e adotarem uma postura totalmente passiva com relação às informações. A preocupação com relação ao aumento da discriminação racial ou de classe também é relevante e tem provocado discussões nos meios acadêmicos e na mídia, que eventualmente já aponta problemas com relação da sistemas de reconhecimento facial em locais públicos, entre outras distorções. 

A própria OpenAI fez questão de frisar que na nova versão do ChatGPT, o GPT-4, entre os avanços introduzidos está a limitação a respostas preconceituosas ou tendenciosas. Os desenvolvedores prometem também a geração de textos com menor possibilidade de erros e com linguagem ainda mais sofisticada e próxima da humana, com relação à versão anterior (3.5). A possibilidade de leitura de imagens é outra inovação. Testes mostraram que o novo lançamento da ferramenta tem maior capacidade para fazer programação e também é capaz de montar um site, entre outros avanços. Por enquanto, só está disponível para assinantes, mas aumentou ainda mais a preocupação com relação a seu impacto sobre as diversas atividades humanas. 

Assista à íntegra do programa Encontros com Tecnologia:

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