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Concentração de poderio econômico causa danos sociais ao planeta

Concentração de poderio econômico causa danos sociais ao planeta
Neoindustrialização do Brasil

Organização Oxfam faz denúncia no Fórum Econômico Mundial sobre o avanço da pobreza e poder exagerado de bilionários e conglomerados

O Fórum Econômico Mundial, realizado, na cidade suíça de Davos, sempre reúne eminências do campo político e econômico, mas o último encontro em janeiro deste ano teve um constrangimento para essa elite mundial. Foi divulgado no evento um relatório da organização humanitária Oxfam, que mostra como os governos estão no caminho errado, promovendo a concentração de poderio econômico na mão de poucos. De acordo com o levantamento, só na atual década a fortuna dos cinco bilionários mais ricos do mundo mais que dobrou, enquanto 60% da humanidade, majoritariamente no Sul Global, ficou mais pobre.

A concentração, segundo o estudo, é motivada principalmente pela predominância dos monopólios, que controlam as regras dos mercados, ditam preços e exploram a mão de obra. Entre os mais fortes, estão as companhias que formam as chamadas Big Pharmas, ou seja, os grandes laboratórios farmacêuticos; as Big Techs, grandes empresas transnacionais de tecnologia; e os grandes fundos de investimento. Essa enorme desigualdade, além de agravar os problemas sociais do mundo, também contribui para tornar mais agudos os efeitos das mudanças climáticas em curso.

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Concentração de renda ajuda a manter grande parte da população na miséria

Um detalhe chocante do ponto de vista moral do relatório é não só a disparidade entre a fortuna dos mais ricos com a miséria em que vivem bilhões de pessoas, mas a vida perdulária levada pelos super ricos, que mantêm seus empregados trabalhando de forma exaustiva. É o caso, por exemplo, de Jeff Bezos, que já acumula mais de US$ 167 bilhões de patrimônio, riqueza que aumentou em US$ 32,7 bilhões só nos últimos quatro anos. Enquanto seus trabalhados são até impedidos de se sindicalizarem, ele torrou US$ 5,5 bilhões numa excêntrica viagem espacial.

Ele é dono da Amazon, a maior empresa de comércio eletrônico do mundo, e considerada uma das principais big techs do planeta. Segundo o documento, “três quartos dos gastos globais com publicidade online são pagos à Meta, Alphabet e Amazon, e mais de 90% das buscas por informação online são feitas no Google”, em referência a outras gigantes da tecnologia. Mas não é só esse mercado que está cada vez mais concentrado. No de fármacos, como já citado, houve uma fusão desenfreada nas últimas décadas e as gigantes farmacêuticas passaram a dominar 40% da produção de sementes.

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Protesto contra a Amazon

Por outro lado, a concentração do capital financeiro é outro alerta feito pelo relatório. O chamado private equity, onde apenas três fundos de investimento (BlackRock, State Street e Vanguard) administram ativos no valor de US$ 20 trilhões, dá ideia desse poderio concentrado.

“O aumento acentuado da riqueza bilionária e o crescimento do poder de empresas e monopólios estão profundamente interligados. Os lucros das megacorporações são usados para beneficiar os acionistas, à custa de trabalhadores e pessoas comuns. Este informe revela como o poder empresarial e os monopólios fizeram explodir a desigualdade e como esse poder explora e amplia as disparidades de gênero, raça e etnia, bem como econômicas”, destaca o sumário do relatório.

Grandes empresas que operam na base do monopólio são controladas por CEOs indicados pelos acionistas majoritários, cujo principal objetivo é majorar os lucros. É uma situação perversa duplamente para a maioria da população, que sofre com condições de trabalho cada vez mais degradadas, veem seus salários não acompanharem a alta dos preços e na prática não conseguem optar em condições de concorrência na hora de escolher um produto, principalmente um alimento, tendo em vista o alto grau de monopolização da economia.

De acordo com o relatório, 791 milhões de trabalhadores tiveram perdas inflacionárias nos últimos anos com relação a seus salários, principalmente depois da pandemia. “As mulheres estão amplamente sobrerrepresentadas nos empregos mais mal pagos e precários  e, em 2019, ganharam apenas 51 centavos para cada dólar de remuneração dos homens”, destaca a Oxfam, que incluiu também as desigualdades étnicas no texto.

O relatório destaca também o poder político dos magnatas, que conseguem obter cada vez mais vantagens dos governos. Entre elas, estão reduções de impostos, o que prejudica a capacidade do Estado de oferecer serviços públicos de qualidade para todos. Além de aprofundar a pobreza, a interferência dos super ricos e das grandes corporações no meio político favorece as políticas de privatização. É um movimento que não tem limites. Vai se estendendo para a saúde, educação e até assistência social.

“A privatização pode impulsionar e reforçar desigualdades em serviços públicos vitais, consolidando as disparidades entre ricos e pobres, excluindo e empobrecendo aqueles que não podem pagar, enquanto os que podem têm acesso a bons serviços de saúde e educação. A privatização também pode gerar desigualdades com base em gênero, raça e casta”, alerta o relatório.

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Trabalhadores protestam por melhores condições de trabalho

Na contramão da ideologia dominante principalmente na grande mídia, a Oxfam propõe o fortalecimento do Estado, que através de suas políticas inclusivas teria condições de combater a pobreza e garantir condições de vida mais justas para todos no mundo. Um Estado mais forte e eficaz teria condições de se contrapor aos interesses desses conglomerados e de garantir condições de vida melhores e mais justas para a maioria da população. Entre as propostas do documento, estão:

  • Garantir serviços públicos que reduzam a desigualdade, incluindo saúde, educação, assistência e segurança alimentar. 
  • Investir em transporte, energia, habitação e outras infraestruturas de caráter público.
  • Explorar um monopólio público ou uma opção pública em setores propensos ao poder monopolista e que são fundamentais para combater a desigualdade extrema e promover uma rápida transição na superação dos combustíveis fósseis. Esses setores podem incluir fornecimento público de energia, transporte público (em situações em que, em função dos custos de investimento em infraestruturas, só pode haver um fornecedor eficiente) e outros setores onde haja um benefício nacional significativo.
  • Melhorar a transparência, a responsabilização e a supervisão das instituições públicas (incluindo as empresas estatais). 
  • Reforçar a capacidade reguladora, financeira e de pessoal para fazer cumprir as leis e garantir que o setor privado sirva ao bem comum.

Leia o relatório acessando o link.

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