Deficientes visuais agora podem acompanhar os dribles do futebol 

Deficientes visuais agora podem acompanhar os dribles do futebol 
Um Projeto para a Reconstrução do Brasil

Novo dispositivo criado por startup irlandesa permite maior inclusão nos estádios

Em 2019, o engenheiro irlandês Omar Salem viu um vídeo curioso de dois espectadores em um jogo de futebol. Um deles era deficiente visual e seu amigo estava traçando a ação do jogo na palma da mão aberta do amigo. Salem ficou impressionado com a generosidade da ação, mas também se questionou se essa seria a melhor solução para uma pessoa com deficiência visual acompanhar os lances das partidas

Omar percebeu que o problema poderia ser resolvido com tecnologia e essa é a origem do Field of Vision”, explicou em uma entrevista David Deneher, cofundador da empresa com Salem e Tim Farrelly.

Como funciona o aparelho?

O Field of Vision usa a chamada tecnologia háptica, que traduz em estímulos táteis as movimentações de um determinado campo visual. Para acessar o jogo, o torcedor usa uma caixa (menor que uma página A4) com a impressão de um campo de futebol na parte superior. A ação é transferida para o dispositivo por meio de um pino magnético que se move pela superfície e reflete o progresso da bola.

Os dados são extraídos de todas as ações importantes do jogo e reproduzem as movimentações captadas pelas câmeras posicionadas ao redor do campo. Um algoritmo usa visão computacional para rastrear a localização da bola. Além das sensações táteis, os portadores de deficiência recebem pelo fone feedback auditivo, o que permite uma imersão maior na partida.

O Field of Vision é leve, portátil e alimentado por bateria e é compatível com conectividade Wi-Fi, Bluetooth e 5G.

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Tablet no estádio auxilia deficiente visual. Crédito: Field of Vision/Divulgação.

Qual é o público em potencial?

A expectativa é que as administrações dos estádios sejam os principais clientes do aparelho, que poderão disponibilizá-lo aos torcedores. O mais conveniente é que seja gratuito, mas tudo vai depender da decisão de cada gestor.

Nosso dispositivo é leve, portátil e sem fio e apresenta vários níveis exclusivos de vibração, dando aos usuários uma noção holística do jogo, enquanto nosso modelo de IA nos permite cobrir muitos jogos ao vivo ao mesmo tempo com custos muito baixos”, diz Deneher .

O dispositivo pode ser usado em outros esportes?

A parte superior do dispositivo pode ser alterada para acomodar outros esportes e, embora os fundadores tenham como alvo os fãs de futebol, o próximo passo será expandir seus serviços para jogos semelhantes.

Os fundadores da empresa se conheceram quando jovens na Sutton Park School em Dublin. Salem concluiu o curso de  engenharia aeroespacial na Queen’s University, Belfast; Deneher optou pela ciência da computação e negócios no Trinity College e Farrelly está estudando engenharia da computação, também no Trinity.

A startup vem arrecadando recursos para financiar o desenvolvimento da empresa, com o apoio do Launchbox do Trinity College e do acelerador de inteligência artificial Alsessor. A invenção foi classificada com uma das melhores do mundo por uma eleição da revista norte-americana Time, o que deve dar um impulso à sua comercialização.

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