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Degradação a olhos vistos em viadutos, pontes e passarelas do Rio

Degradação a olhos vistos em viadutos, pontes e passarelas do Rio

Degradação a olhos vistos em viadutos, pontes e passarelas do Rio
ODS da ONU

Falta de conservação gera infiltrações e outros danos a estruturas, com riscos graves, segundo o TCM

Viadutos, pontes, elevados, passarelas e túneis são equipamentos urbanos que encurtam caminhos, facilitam o escoamento do trânsito e também evitam atropelamentos. No entanto, em vez de trazerem eficiência e conformo aos deslocamentos, pelo menos no Rio de Janeiro, eles estão oferecendo risco. A falta de manutenção gera infiltrações, corrosões nas estruturas metálicas, queda de revestimentos, entre outras degradações.

Um relatório feito por técnicos do Tribunal de Contas do Município do Rio (TCMRJ), com base em uma amostragem compreendendo 44 equipamentos na chamada AP2 (Área de Planejamento 2 – Zona Sul e Grande Tijuca), apontou sérios danos a essas estruturas nessa que é a região mais rica e densa da cidade. Segundo o documento, em verificações visuais in loco constatou-se que 9% das unidades vistoriadas necessitavam de intervenção imediata em função do risco de colapso total ou parcial. Através dessa metodologia, observou-se que em 43% dos casos havia risco de queda de material.

Ao todo, oito estruturas obtiveram classificação de alto risco, entre elas está o viaduto José de Alencar que faz a ligação entre as duas galerias do Túnel Rebouças, uma das mais importantes vias expressas da cidade. Outro equipamento que também apresentou risco de colapsar é a ciclovia sobre o canal do Jardim de Alah, entre Leblon e Ipanema, cuja base metálica estava inclusive curvada.

Passarelas metálicas corroídas foram encontradas na Praça da Bandeira, na Lagoa Rodrigo de Freitas (na altura do Parque da Catacumba) e na Avenida Niemeyer, por exemplo. No caminho de pedestre sobre a Avenida Oswaldo Aranha e a Rua Teixeira Soares na Praça da Banheira, o piso chegou a apresentar buracos.

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O risco de queda de pedados do revestimento está presente até nos viadutos do Parque do Flamengo. Foram projetados pelo ilustre arquiteto Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) e fazem parte de um conjunto paisagístico e arquitetônico tombado. Entretanto, foram classificados pelo TCM como em situação de risco entre médio e alto, necessitando de obras de manutenção.

O relatório também abordou a necessidade de realização de obras preventivas em grande parte desses equipamentos urbanos. Por esse prisma, o resultado não foi muito diferente. Vale ressaltar que em vários casos a deterioração é tão visível, que até plantas já crescem nas fendas das construções em ruínas por onde passam automóveis e veículos pesados. É também nítido em diversos exemplos a destruição ou a falta de limpeza dos equipamentos de drenagem e a degradação das juntas de dilatação.

Apesar de a vistoria do TCM ter sido feita por amostragem, o panorama nos demais equipamentos não é muito diferente. Prova disso é o quadro do Elevado Paulo de Frontin, no Rio Comprido. Coincidentemente, há 50 anos parte dele desabou em virtude de um erro de projeto, causando a morte de dezenas de pessoas. A via expressa foi batizada oficialmente com o nome do engenheiro francês Eugène Freyssinet (1879- 1962), mas acabou sendo mais conhecida pelo nome do engenheiro brasileiro, nascido em 1869 e morto em 1933, que já era homenageado na avenida que passa por baixo do viaduto.

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A estrutura dessa via vital para o Rio também apresenta infiltrações e oxidações aparentes nas armações do concreto. O problema foi, inclusive, evidenciado em reportagem do telejornal RJTV, da TV Globo, em janeiro deste ano. A denúncia de degradação deste e de outros viadutos importantes foi acompanhada e comentada pelo engenheiro Antônio Eulálio.

O TCM faz uma série de recomendações à Secretaria Municipal de Infraestrutura, entre elas a de realizar uma avaliação mais profunda para se medir os riscos de cada estrutura danificada e de criar um plano que contemple medidas de prevenção. Afinal, um eventual acidente pode ocasionar mortes. Por pouco, não acabou em tragédia a queda de parte de um viaduto em 2018 no Eixão Sul de Brasília. O acidente ocorrido na capital federal soterrou quatro carros, mas por sorte ninguém se feriu.

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Crédito: Alexandre Farah/Prefeitura do Rio

A Secretaria Municipal de Infraestrutura informou que, através da Coordenadoria Geral de Projetos, realiza o monitoramento desses equipamentos urbanos por meio de vistorias técnicas rotineiras. Algumas iniciativas já estão sendo tomadas para atender as recomendações do TCM e resolver os problemas apontados. O órgão municipal está pondo em andamento obras de substituição da passarela sobre o Canal do Jardim de Alah, de recuperação da passarela sobre a Av. Niemeyer (Estação da CEDAE), substituição dos patamares da passarela sobre a Av. Oswaldo Aranha e Rua Teixeira Soares (Posto INSS na Praça da Bandeira) e manutenção do Viaduto Santiago Dantas, em Botafogo. Foi providenciada também a recuperação do guarda corpo e retirada das placas de fechamento da drenagem que encontram-se quebradas na passarela sobre a Av. Radial Oeste e Rua Professor Manoel de Abreu (UERJ) e obra de recuperação do Túnel Noel Rosa, entre outros túneis da cidade.

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