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Dispositivos implantados no cérebro proporcionam comunicação com máquinas 

Dispositivos implantados no cérebro proporcionam comunicação com máquinas 

Crédito: Kohji Asakawa por Pixabay
Dispositivos implantados no cérebro proporcionam comunicação com máquinas 
A RETOMADA DA ENGENHARIA NACIONAL

Avanços tecnológicos trazem esperança para portadores de deficiências, mas possível poder de leitura e registro do pensamento gera polêmica

A comunicação direta do pensamento humano com as máquinas está cada vez mais avançada graças ao desenvolvimento de tecnologias de interface cérebro-máquina (ICM). São dispositivos introduzidos nesse órgão capazes de emitir sinais que já podem ser decodificados. Geram esperança de os mudos se expressarem oralmente, os paralíticos andarem e os cegos verem. Mas também estão associados à polêmica possibilidade de leitura da mente, a chamada telepatia.

Recentemente, a revista Nature publicou o resultado de duas pesquisas promissoras realizadas nos Estados Unidos. Estudo de pesquisadores do departamento de Neurologia da Universidade de Stanford foi responsável pela introdução de chips na região do córtex cerebral de paciente com a doença de Charcot, um transtorno degenerativo que reduz os movimentos e consequentemente também a fala. Os sinais emitidos foram transmitidos por cabos para equipamentos que os analisaram e os converteram em fonemas.

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Crédito: Ars Electronica

O outro estudo foi realizado pela Universidade da Califórnia e introduziu eletrodos na mesma região cerebral de paciente que tinha perdido a fala após hemorragia. A leitura dos sinais permitiu a conversão das emissões em palavras num ritmo de 78 fonemas por minuto. Além dos sinais elétricos, a tecnologia consegue ler também movimentos labiais, da língua e de outros músculos faciais.

“Há entre cinco e seis anos que começamos a entender as redes elétricas que regem os movimentos dos lábios, da mandíbula e da língua e que nos permitem produzir os sons específicos de cada consoante, vogal e palavra”, explica o professor Edward Chang, chefe da equipe da Universidade da Califórnia.

Mas o sonho da “leitura da mente” não para por aí. Um holandês paraplégico conseguiu voltar a andar e controlar seus passos através de tecnologia que emprega inteligência artificial para decodificar as intenções do cérebro. Praticamente de forma simultânea, cientistas da Pensilvânia, nos Estados Unidos, desenvolveram um decodificador de linguagem através de aparelho de ressonância magnética, que se comunica com microeletrodos implantados no cérebro.

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Crédito: Pixabay

Apesar do avanço tecnológico, o principal desafio desses sistemas é médico. Isso porque envolve cirurgias complicadas e o risco de rejeição pelo próprio organismo. Por isso, chamou a atenção pesquisa desenvolvida pela startup americana Synchron, que consiste no implante de um stent no cérebro, usando a veia jugular como via. 

O principal avanço é evitar a abertura do crânio dos pacientes. Tanto que a pesquisa recebeu a autorização do departamento americano de alimentos e medicamentos (FDA), desde 2021. Com os stent no cérebro, as pessoas conseguiram se comunicar até com o WhatsApp.

“Houve demonstrações incríveis do que é possível e agora o objetivo é tornar o processo reprodutível, simples e acessível para um grande número de pessoas”, disse Tom Oxley, cofundador da Synchron.

Enquanto a proposta é de superação de deficiências, o emprego de ICMs em estudos recebe amplo apoio. Mas nem sempre essa tecnologia que integra cérebro e máquina é tão simples do ponto de vista ético. Um caso polêmico é o da Neuralink, startup de neurotecnologia criada entre outros pelo polêmico investidor Elon Musk. Suas pesquisas também já foram autorizadas pelo FDA, mas há pouca transparência com relação aos propósitos dos empreendimentos que preveem implante de chips no cérebro de cobaias.

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Projeto de startup ligada a Elon Musk gera polêmica. Crédito: Wikimedia Commons

Musk, que comprou a plataforma Twitter (nova X), tem dito que o dispositivo será a salvação contra o domínio da inteligência artificial sobre os humanos. A ideia é permitir a comunicação consensual por telepatia, apesar de haver pouca clareza com relação aos limites dessa invasão sobre o cérebro. Mas a princípio a autorização é para estudos que visam a auxiliar portadores de doenças degenerativas, como a como ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).

“Este é o resultado de um trabalho incrível da equipe Neuralink em estreita colaboração com o FDA e representa um primeiro passo importante que um dia permitirá que nossa tecnologia ajude muitas pessoas”, postou o empresário na própria rede social onde agora dá as cartas.

Seu projeto inclui a possibilidade de registro da memória das pessoas nesses dispositivos, podendo até ser enviada para outro ser humano. Não faltam semelhanças com a série de terror da NetflixBlack Mirror”. O assunto vai proporcionar um debate ético fundamental, que envolve o direito à privacidade e limites que impeçam a transformação das pessoas em praticamente robôs. Mas antes dessa discussão, preceitos mais básicos podem já estar sendo violados pela startup, que vem sendo investigada nos Estados Unidos por supostos maus tratos a animais. É acusada até de transporte irregular de material contaminado após o implante de chips em macacos.  

Por enquanto, ainda não começou o recrutamento de pacientes para os experimentos e implantes de chips, mas o certo é que o próprio Musk não se voluntariou a colocar um dispositivo no seu próprio cérebro. 

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