Drones ganham cada vez mais utilidade, mas regulamentação ainda precisa de avanços

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Drones ganham cada vez mais utilidade, mas regulamentação ainda precisa de avanços
Desastre em Maceió

Evento do Clube tratou da versatilidade dessas aeronaves, mas alertou para necessidade de atenção às regras vigentes e melhor regulação por parte dos órgãos públicos

O avanço tecnológico está possibilitando uma diversificação imensa nas aplicações com drones no mundo todo. Devido à maior complexidade dessas aeronaves e dos diferentes tipos de equipamentos embarcados nelas, muitas atividades estão utilizando os voos para transporte, monitoramentos, inspeções, medições, etc., por conta da facilidade de acesso, precisão e velocidade. No entanto, grande parte das funções que esses equipamentos podem exercer, especialmente no Brasil, ainda sofre limitações devido ou à falta de uma regulamentação ou de medidas conjuntas dos órgãos de fiscalização. Para justamente discutir as vantagens dos sobrevoos e os gargalos legislativos do setor, o Clube de Engenharia realizou um evento com a participação de especialistas.

O evento “Drones: Legislação, uso e aplicações profissionais” foi realizado pela Divisão Técnica de Exercício Profissional (DEP), com o objetivo de levar conhecimentos a profissionais do setor e outros que têm interesse nas aplicações desses aparelhos por atuarem com agrimensura, levantamentos topográficos e outras atividades que estão sendo incrementadas com o uso de drones. O palestrante Erison Rosa de Oliveira Barros apresentou diversos casos de uso das aeronaves, a começar por projeto em que participou de monitoramento da ocupação das margens de rodovias em Pernambuco, faixa em que são comuns as construções irregulares. O levantamento se mostrou muito útil para o trabalho de coibir essas ocupações.

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Drones estão revolucionando diversas atividades. Crédito: Pixabay

A variedade de tarefas que podem ser melhor executadas com o uso de drones está cada vez mais ampla, principalmente pela sofisticação da tecnologia embarcada nas aeronaves. Muitos modelos já usam inteligência artificial, o que pode ajudar até no seu retorno ao ponto de decolagem em caso de perda de controle. Alguns permitem visão imersiva, em primeira pessoa, em ambientes de difícil acesso ou, mesmo, GPS geodésico para extrair medições com alta precisão.

Mas os operadores precisam, segundo o professor, estar atentos às características técnicas dos modelos, que têm de ser adequados a cada missão. O porte do aparelho é muito importante, sendo necessário levar em consideração as categorias até 25 kg, até 150 kg ou acima desse patamar. Mas o que é mais importante é obter a documentação necessária e cumprir as normas dos órgãos de regulamentação. No que tange aos aparelhos de transmissão instalados, a homologação da ANATEL se faz necessária. A Anac controla as licenças dos pilotos e o cadastro da aeronave e o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) a altura e as rotas dos voos.

“O DECEA cuida da área de abrangência do voo, o que é importante para a engenharia, como por exemplo em ações de perícia, ou na inspeção de uma obra ou o monitoramento do seu canteiro. Por isso, ter a documentação correta é importante, já que pode ser usada em uma ação”, explica Barros.

A palestra com o engenheiro Max Tanillo Alves de Holanda e Silva acrescentou ainda mais variedades de uso dos drones na atualidade. Ele citou as aplicações já comuns na agricultura como o monitoramento para uma irrigação mais precisa, para o uso mais racional dos agrotóxicos e também nas demarcações de propriedades. Os drones também estão aprimorando o trabalho de vistoria em linhas de transmissão de energia. Outro exemplo é o levantamento de solos por indústrias ceramistas.

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Uso na agricultura está elevando a produtividade do setor. Crédito: Pixabay

Segundo ele, a diversificação está mais a reboque das variedades de sensores do que dos drones em si. Por isso, quem adquire um modelo precisa verificar se o tipo está adequado para a tarefa a ser executada. Há até instrumentos capazes de varrer terrenos sob floresta densa. Com isso, ganha força no mercado a preparação de um verdadeiro modelo digital de terreno com todas as suas ondulações, de onde se pode extrair curva de nível ou perfil.

No entanto, há ainda lacunas regulatórias com relação a esse tipo de aerolevantamento para medições de terreno, tendo em vista a ausência de uma autorização por parte das Forças Armadas. 

“Falta uma regulamentação completa. O aerolevantamento com drone com objetivo cartográfico realmente não está regulamentado, mas para mapeamento temático já pode ser feito”, afirmou o especialista.

Ele também apresentou mapeamento em área popular realizado em Recife, que permitiu elaboração de projeto para reutilização da água da chuva, bem como a análise dos pontos do solo para a realização de intervenções a fim de se evitar deslizamentos e estudos ambientais. As aplicações são cada vez mais vastas e tendem a impactar diversas atividades.

Assista aqui ao evento:

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