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Energia fotovoltaica é um bom investimento e faz bem ao meio ambiente

Energia fotovoltaica é um bom investimento e faz bem ao meio ambiente

Crédito: energytransition.umn.edu
Energia fotovoltaica é um bom investimento e faz bem ao meio ambiente
Soberania Energética

Engenheiro eletricista Yan Queiroga apresenta vantagens da geração solar, mas alerta para perigos de instalações sem o devido planejamento

Devido ao alto custo da energia elétrica no Brasil para o consumidor final, é grande o interesse de famílias e empresas na instalação de painéis fotovoltaicos como forma de reduzir ou até zerar a conta. Também contribui para a redução das emissões de CO2, tendo em vista a menor necessidade de uso de termelétricas pelo país. No entanto, é preciso um planejamento detalhado antes da tomada de decisão pelos clientes, conforme explicou o engenheiro eletricista Yan Queiroga, que participou do programa Encontros com Tecnologia do Clube de Engenharia. O episódio trouxe informações valiosas que podem ajudar a evitar problemas de segurança e gastos desnecessários por parte dos interessados.

Há alguns anos, a energia solar era considerada cara, mas principalmente a queda no preço dos painéis e o maior número de empresas especializadas na instalação dos sistemas estão tornando essa opção viável para a classe média. Há também o crescimento no número de usinas pelo interior do país. O resultado é que o Brasil tem batido recordes na produção por essa fonte. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a potência total para a captação da luz chegou a 34 gigawatts, o que equivale a 15,4% na capacidade instalada da matriz energética elétrica do país.

Grande parte dessa geração está sendo feita de forma distribuída, como por exemplo em telhados de casas de pequenos consumidores, mas que sofriam para pagar a conta de luz. Conforme Queiroga explicou, os equipamentos estão bastante acessíveis e normalmente o retorno pelo dinheiro investido vem em dois anos e meio a três anos, o que favorece a compra financiada. Mas para saber se é realmente viável financeiramente a opção, o consumidor precisa antes analisar seus gastos, avaliar as variações de acordo com as épocas do ano e calcular a média mensal de consumo. Isso é fundamental para se saber o porte dos equipamentos e, portanto o valor a ser investido, e quanto de economia será obtido.

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Projetos mal feitos podem causar sérios acidentes. Crédito: reprodução das redes sociais

Um planejamento correto também requer a vistoria no telhado. Pode haver a necessidade de um reforço para sustentar o peso das placas e ferragens. O número de painéis pode variar não só por conta do consumo mas também da disponibilidade de luz no local. O projeto também pode ser afetado pelas condições da fiação elétrica, que muitas vezes precisará de ser trocada até para um aumento de carga. São fatores que podem comprometer o sucesso da iniciativa ou até causar acidentes, se não houver o devido cuidado por parte da empresa.

“É importante que o profissional entenda da parte elétrica e não seja um mero montador de painéis. Não é um trabalho para pessoas de fora da área”, aconselhou Queiroga.

Além desses fatores, o projeto pode ser afetado pela conexão ou não do imóvel com a rede elétrica comum. Em sistemas on-grid, em que há a ligação com as linhas da concessionária, é necessária a homologação junto a essa distribuidora e a instalação de equipamento anti-ilhamento. Ou seja: em caso de falta de energia, o sistema também deixa de funcionar para não injetar corrente na rede e causar acidente com técnicos que eventualmente estejam fazendo reparos na área pública. Esse modelo também exige a instalação de inversores, para a conversão da corrente alternada que vem dos painéis em corrente contínua a ser distribuída para os aparelhos do imóvel. Eles podem ficar dentro das casas ou edifícios ou serem do tipo micro, que é instalado junto às placas nos telhados, o que evita impacto visual no ambiente. 

O sistema on-grid também exige a instalação de um novo medidor. Ele vai registrar a energia que o imóvel produz a mais e injeta na rede pública e também a que é consumida dessa fonte, quando os painéis não estão produzindo, como no período noturno.

Outra opção é a do sistema isolado (off-grid), quando não há a conexão do imóvel com a rede da concessionária. Nesses casos, para que não falte luz nos períodos de sombra ou noturnos, o consumidor precisa ter baterias para armazenar a energia. É um fator que encarece em muito o projeto e, segundo o engenheiro, pode até quadruplicar o investimento. Por isso, acaba sendo pouco utilizado e só se encaixaria em lugares isolados.

A terceira alternativa é a do sistema híbrido, em que há a conexão com a rede elétrica, mas também a colocação das baterias. Nesses casos, uma das vantagens é que mesmo em casos de queda de energia geral, o imóvel não fica totalmente desligado. Enquanto a região fica sem fornecimento, ele pode contar com esse armazenamento às vezes apenas para manter aparelhos essenciais em funcionamento, como geladeira e Wi-Fi, por exemplo. Com isso, o investimento em baterias não precisa ser tão alto.

“Tem que saber o que precisa para não ter prejuízo e pagar a mais do que o necessário, nem ficar aquém das necessidades”, explicou o palestrante.

Queiroga apresentou um caso de um cliente tinha um gasto mensal, que somado ao da casa da filha, chegava a R$ 1,5 mil mensais. Com a instalação dos painéis, que servem para os dois, eles passaram a pagar cerca de R$ 300, apesar de a família ainda ter instalado mais aparelhos de ar-condicionado depois da mudança.

“É um dos melhores investimentos que se pode fazer no Brasil”, afirmou o palestrante, ressaltando que quem paga contas muito baixas e próximas da tarifa básica da concessionária não têm vantagem financeira na instalação dos painéis.

Durante o programa, ele foi questionado sobre os impactos da Lei 14.300/2022, também chamada de Marco Legal da Micro e Minigeração Distribuída. Entre outras novidades, ela instituiu a cobrança de taxa para quem produz energia solar e está conectado à rede da concessionária. A medida é válida para quem homologou seu sistema a partir de janeiro deste ano, o que provocou uma corrida no ano passado pela conexão ainda isenta. O novo marco acabou criando desincentivos à adesão à energia solar, segundo ele, e reduziu a demanda por novos equipamentos.

Outro ponto muito questionado pelos participantes é com relação à instalação de painéis em condomínios residenciais antigos. É uma medida cabível a qualquer edifício, mas que precisa da anuência dos moradores. Raramente atendem a um apartamento em particular, mas já são encontrados para manter equipamentos de uso comum. 

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Quantidade de painéis influencia o orçamento. Crédito: Pixabay

A importância da adoção de uma visão mais planejada não é  apenas para famílias e empresas que estudam a adoção desse modelo. O aumento da participação da eletricidade solar, que se caracteriza por uma produção muito mais distribuída, traz a necessidade de se modernizar o sistema brasileiro. Um alerta para esse problema pode ter sido o apagão do último dia 15 de agosto, que atingiu quase todos os estados. Segundo relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a principal causa do evento foi uma falha no desempenho de equipamentos de controle de tensão de parques eólicos e solares, nas proximidades da linha de transmissão Quixadá-Fortaleza II, no Ceará.

“Esses dispositivos das usinas deveriam compensar automaticamente a queda de tensão decorrente da abertura da linha de transmissão, porém o desempenho no momento da ocorrência ficou aquém do previsto nos modelos matemáticos fornecidos pelos agentes e usados em simulações pelo ONS”, informou o Operador.

Isoladamente, as consequências do acidente estão limitadas a um ajuste nos procedimentos do ONS e de geradores de energia da região que deverá tomar medidas preventivas daqui para frente. Mas cresceu a preocupação de que eventos do tipo comecem a ficar mais frequentes no país. 

Especialistas vêm alertando para a necessidade de modernização das torres e linhas de transmissão do país, em muitos casos já bastante antigas. A geração mais distribuída também exigiria o investimento em tecnologia digital, instalação de sensores e até a instalação de baterias para se dar maior estabilidade ao sistema. 

Outro aspecto efeito colateral do crescimento das energias renováveis é a dependência do país pela importação de equipamentos para a produção através dessas fontes, sobretudo a solar e eólica. O principal fabricante de painéis fotovoltaicos no mundo é a China e segundo estudo da consultoria Ember, o Brasil já é o segundo maior importador de material chinês destinado à produção de energia solar, ficando atrás apenas da Europa. Quadro semelhante se verifica com relação aos aerogeradores necessários para a instalação de usinas eólicas, que são produzidos majoritariamente com equipamentos importados. Com isso, faz-se cada vez mais necessária a adoção de uma política industrial que incentive a formação de uma cadeia produtiva nacional voltada para esse mercado.

Assista aqui ao programa:

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