Estudantes elaboram projetos para melhorar qualidade de vida da população

Yan Monteiro, Francisco Victer e Severino Virgínio. Crédito: Setor de Comunicação/Centro de Tecnologia da Escola Politécnica da UFRJ
Estudantes elaboram projetos para melhorar qualidade de vida da população
A RETOMADA DA ENGENHARIA NACIONAL

Grupo Engenhando a Cidade, formado por alunos da UFRJ e sócios aspirantes do Clube de Engenharia, elaborou projeto que virou lei e memoriais para aprimoramento urbano

O período universitário é época de muitas preocupações para os estudantes. Além de ter que completar o curso, a fase é marcada por uma transição para a vida profissional e o foco costuma se concentrar nesses objetivos. Mas um grupo de três alunos da Escola Politécnica da UFRJ e sócios aspirantes do Clube de Engenharia encontrou tempo e garra para também usar seus conhecimentos em prol da sociedade. Além de elaborarem projetos para melhorias no bairro onde moram, na Ilha do Governador, chegaram a propor um projeto de lei definitivamente aprovado na Alerj. Francisco Victer, Severino Virgínio e Yan Monteiro formam o chamado Engenhando a Cidade e viraram exemplo de trabalho voluntário que aplica os conhecimentos da engenharia a favor da melhoria de qualidade de vida no Rio de Janeiro.

Uma das principais iniciativas do trio foi a elaboração de projeto de lei que obriga escolas da rede estadual de ensino a terem pelo menos uma composteira para educação ambiental. Foi a primeira proposta de origem popular a ser sancionada e convertida em lei, de número 9.897/2022. As escolas podem cumprir a norma com facilidade, pois as composteiras podem ser de tamanhos variados e na maioria das vezes têm custo baixíssimo, podendo ser feitas com material reaproveitado. A ideia é que os compostos sejam utilizados em hortas comunitárias, que produzam alimentos para as comunidades escolares, mas o poder multiplicador do conhecimento é o maior benefício.

“Temos muito orgulho de termos conseguido aprovar esse projeto. As composteiras podem ser empregadas em diferentes lugares, mas nas escolas elas têm uma função especial. As escolas são pontos de disseminação de informações. As crianças têm grande disposição para aprender coisas novas e podem levar esse conhecimento para suas famílias e comunidades“, explica Francisco Victer, que é filho do conselheiro vitalício do Clube Wagner Victer.

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O grupo, que mora na Ilha do Governador e estuda na Ilha do Fundão, quando tem algum tempo de folga passa observando problemas na região e traça projetos para solucioná-los. Uma das questões sobre as quais se debruçou foi o perigoso retorno que existe na Estrada do Galeão, na altura da Base Aérea, usado para quem se dirige de volta à Ilha. A pista tem uma falha, que é a falta de um espaço para a aceleração, o que ocasiona constantes acidentes.

O Engenhando a Cidade fez um memorial com a proposta de melhoria do trecho, que foi entregue a diversos órgãos públicos. Infelizmente, apesar de todos reconhecerem a necessidade da obra, nenhuma providência foi tomada. 

Outro projeto que ainda está no papel é o do alargamento da faixa de areia da Praia da Guanabara, que no passado chegou a ter 20 metros e hoje só tem 5. Mas no lugar, graças à adesão de voluntários, eles conseguiram realizar a reforma do píer, que estava deteriorado.

“Buscamos em quase todos os nossos projetos dar um escopo ambiental a eles. Também procuramos organizar eventos que ajudem na conscientização. Por isso, foi muito importante evento que reuniu crianças no Dia do Meio Ambiente para o replantio e recomposição da Mata Atlântica. É importante o trabalho de educação ambiental”, contou Severino.

Outro memorial descritivo proposto pelo grupo trata da recuperação urbana da Praia da Rosa e Sapucaia, região habitada por famílias carentes, cuja situação piorou com a decadência do estaleiro Eisa. O Engenhando faz diversas propostas, como melhorias nas galerias de águas pluviais, criação de áreas de lazer e esporte, entre outras. Porém, além da lentidão do poder público, o local apresenta como uma dificuldade a mais a presença do tráfico. 

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Projetos normalmente são entregues a órgãos do poder público. Crédito: Jornal GOLFINHO

Entre os integrantes do grupo, está o estudante Yan Monteiro, que é morador da comunidade do Barbante. Há a intenção deles também ajudarem essa localidade, onde o crescimento desordenado em torno de uma praça dificultou o acesso a caminhões de lixo, entre outros problemas. No entanto, a violência é um obstáculo. O grupo não desiste e pensa até em participar de chamada do ONU-Habitat.

“Como frequentadores e usuários de espaços urbanos, conhecemos como mais exatidão as políticas públicas ou medidas simples que podem ser efetuadas para celeridade e ganho de qualidade de vida para a população. Por isso, é interessante  transpor o que aprendemos na faculdade e aplicar principalmente nas comunidades mais carentes, que estão afastadas da engenharia e do planejamento urbano. É algo que pretendemos mudar”, afirma Yan.

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