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Interação entre ICTs e empresas pode destravar avanço da inovação no Brasil

Interação entre ICTs e empresas pode destravar avanço da inovação no Brasil

Interação entre ICTs e empresas pode destravar avanço da inovação no Brasil
A RETOMADA DA ENGENHARIA NACIONAL

Institutos de Ciência e Tecnologia devem se fortalecer em rede para possibilitar a ponte entre a pesquisa científica e a aplicação comercial das descobertas

Países como Alemanha, Japão e Coreia do Sul tornaram-se grandes potências da tecnologia e fizeram crescer seus PIBs graças à criação de um encadeamento bem sucedido entre as pesquisas científicas e a entrega para o mercado de soluções inovadoras e competitivas. É uma lição para o Brasil, segundo engenheiro Paulo Coutinho, pesquisador chefe do Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos no Rio de Janeiro, no SENAI CETIQT. Ele foi o convidado do projeto Encontros com Tecnologia, do Clube, em setembro, e apontou os avanços ocorridos no país, mas falou também das deficiências que impedem um desenvolvimento maior nesses campos.

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Paulo Coutinho defende fortalecimento das redes de ICTs

Seu foco maior foi na interação entre Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) e empresas, tendo em vista sua experiência profissional, sobretudo no Instituto Senai no Rio de Janeiro, que fica no Centro Tecnológico da UFRJ, na Ilha do Fundão. As instalações têm mais de 3 mil metros quadrados só de laboratórios, divididos em quatro plataformas tecnológicas. A unidade trabalhou para 90 clientes desenvolvendo mais de 170 projetos, sendo que 144 deles já entregues. Eles envolvem as áreas do setor têxtil, de óleo e gás, da saúde, entre outros ligados à bioeconomia.

Uma das soluções que estão sendo desenvolvidas no local é a de transformação de C02 em hidrocarbonetos, bem como outras de descarbonização. O Instituto também trabalhou na criação de uma molécula anticâncer para o Ministério da Saúde e criou um substituto para o espessante utilizado no álcool em gel, que ficou escasso durante a pandemia. 

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Lactec, em Curitiba, está entre as unidades credenciadas pela EMBRAPII

O instituto está vinculado a uma rede do Senai espalhada por todo o Brasil, que tem comprovado o quanto é importante a ponte entre a ciência e a aplicação das inovações nas empresas. Essas unidades já são responsáveis por quase 2 mil projetos desenvolvidos desde 2013 e 860 empresas foram atendidas pela estrutura. Outro exemplo de integração bem sucedida entre institutos é a organização social EMBRAPII, que apoia instituições de pesquisa tecnológica. São iniciativas brasileiras que vão ao encontro de exemplos como o do Instituto Fraunhofer da Alemanha, por exemplo, e têm potencial de deslanchar o processo de inovação no país, de acordo com Coutinho. 

Segundo o especialista, esse modelo tende a ser fundamental para evitar a frustração dos projetos científicos que não chegam à aplicação comercial. Faltaria à academia condições de lidar não só as condições para planejar a viabilidade econômica das iniciativas como testá-las em uma escala que possa mostrar como as indústrias irão recebê-las. Por isso, a intermediação desses institutos se torna fundamental. 

Mas além da infraestrutura adequada para os testes laboratoriais das inovações, eles precisam de recursos para atuar. Coutinho explicou que inevitavelmente o governo precisa entrar nessa etapa através de políticas de fomento, mas a participação da iniciativa privada, principalmente através de empresas consorciadas, também contribui para a viabilização da conclusão das pesquisas. Só assim as ideias não seriam condenadas ao que ele chamou de “vale da morte”.

“Há uma metodologia da Nasa que está sendo usada bastante no processo de inovação, que é a TRL [Technology Readness Level], dividida em três fases. As empresas colocam recursos normalmente na etapa três porque querem reduzir riscos. Por outro lado, a academia está no conceito ainda na fase um. Mas há um meio de campo em que as pesquisas estão sendo transformadas em negócio, em que é preciso haver esse fomento para não irem para o vale da morte”, afirmou o palestrante.

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Instituto Senai no Parque Tecnológico da UFRJ, no Fundão

Apesar da fragilidade dessa fase 2 no Brasil, houve avanços no país principalmente com o fim do contingenciamento do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que atualmente tem quase R$ 7 bilhões disponíveis. O incentivo também está partindo de instituições estaduais como a FAPESP e a Faperj, bem como de parte do faturamento da exploração de petróleo e das concessionárias de energia elétrica. 

“Há uma evolução na relação academia-empresa, mas ainda há muito espaço para avançar. É preciso reforçar a pesquisa aplicada, mas não se pode deixar de dar atenção à pesquisa básica. E ela tem que estar baseada em contas para apontar o que a empresa pode ganhar”, ressaltou o pesquisador.

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