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Mesmo com carência de investimentos, conhecimento vira instrumento na recuperação da Baía de Guanabara e de seu entorno

Secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita de Cássia Guimarães Mesquita
Mesmo com carência de investimentos, conhecimento vira instrumento na recuperação da Baía de Guanabara e de seu entorno
A RETOMADA DA ENGENHARIA NACIONAL

Secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita de Cássia Guimarães Mesquita, destaca avanços da tecnologia social na conservação de manguezais e florestas

A luta pela despoluição e recuperação da Baía de Guanabara já dura décadas, mas, apesar de planos mal sucedidos, a mobilização em torno desse patrimônio natural vem trazendo como principal avanço o acúmulo de conhecimento não só sobre os ecossistemas como também sobre a atividade humana na região. Grande parte desse cabedal de informações a respeito de um bem que simboliza o país no mundo inteiro vem sendo reunido em uma série de pré-conferências promovidas por diversas entidades que culminarão na elaboração de um documento. Parte importante desses eventos foi realizada no Clube de Engenharia, que promoveu uma palestra com a Secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita de Cássia Guimarães Mesquita.

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Resistência da natureza é surpreendente. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Conforme a secretária explicou, para que a Baía de Guanabara continue viva e melhore suas condições ambientais, a preservação da flora e da fauna no seu recôncavo é fundamental. Além dos manguezais, que têm uma função de purificação da água, a Mata Atlântica que resta na região contribui para a preservação da vida nesse gigantesco espelho d’água, incluindo a qualidade da água dos rios. Apesar da intensa ocupação urbana e de séculos de desmatamento, essas áreas verdes precisam de ser integradas e expandidas. Não é à toa que começam a ser tratadas como o Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense, composto por diversas unidades de conservação.

“A gestão por mosaico tem vantagens biológicas, geográficas, sociais, político-institucionais e operacionais. Ele é composto por unidades de conservação de diferentes categorias, mas traz integração de esforços municipais, estaduais, federais e privados. É um conjunto que ajuda na conservação dos rios, mas não está sendo suficiente”, explicou a secretária.

Nesse trabalho e integrar cada unidade de conservação como se fosse uma peça de um mosaico que forma um todo, o Ministério do Meio Ambiente também tem obtido avanços. Há um trabalho diário de manejo da fauna e de preservação das matas. Também vem apresentando ganhos o esforço do ICMBio pela promoção da educação ambiental entre as populações que convivem com esses ecossistemas. É também significativa a contribuição do BNDES, através do Projeto Floresta Viva, que vem financiando a proteção de manguezais, o que requer conhecimento especializado e participação dos trabalhadores das áreas.

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Vista aérea da Baía de Guanabara. Crédito: Vani Ribeiro/Creative Commons

“A boa notícia é que é possível restaurar. Há uma tecnologia social que está sendo empregada e é bem sucedida, e há uma cadeia de valor de bioeconomia local”, ressaltou Rita de Cássia, que também citou os bons resultados em programa de monitoramento das águas dos rios.

A secretária, que representou a ministra Marina Silva na pré-conferência, fez também um balanço sobre a atuação do Ministério do Meio Ambiente no atual governo, que vem procurando retomar o cumprimento dos compromissos internacionais do país como também recompôs conselhos fundamentais para o bom funcionamento do órgão em seu trabalho de planejamento e operação. É o fortalecimento de uma visão política e encara a sustentabilidade como um objetivo fundamental da sociedade, que não necessariamente conflita com a atividade econômica. Mas, segundo ela, não são poucos os riscos enfrentados por técnicos em suas tarefes de preservação do meio ambiente, que está sempre sendo destruído por grupo criminosos normalmente armado. É um fato do qual a região da Baía de Guanabara não escapa, com áreas dominadas pelo tráfico e a milícia.

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Preservação de manguezais conta com auxílio de tecnologia social. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

São problemas cujas soluções dependem de uma maior participação do governo federal, conforme enfatizou o ambientalista e coordenador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo, que citou o problema do cemitério de embarcações abandonadas nas  águas. Mas também foi citado o caso da tão esperada Universidade do Mar, prevista para funcionar na Ilha de Brocoió, que ainda não foi efetivada pelo governo do estado.

Para o chefe da Divisão Técnica de Recursos Naturais Renováveis (DRNR) do Clube de Engenharia, Ibá dos Santos Silva, a palestra contribuiu em muito para a compreensão sobre os esforços que têm sido feitos para a preservação da Baía de Guanabara e de como é possível encontrar um caminho de restauração em comunhão com as atividades humanas presentes na região. “A fala preencheu lacunas e deu esperanças principalmente na retomada dos conselhos”, disse ele.

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