Humanidades na Engenharia: aspectos humanistas ligados às engenharias

Humanidades na Engenharia: aspectos humanistas ligados às engenharias
Projetos Especiais

Eventos ajudam a enriquecer conhecimentos dos profissionais da área, contribuindo para uma visão mais holística da atividade e de seus impactos na sociedade

O ensino da Engenharia vem enfrentando nos últimos anos o desafio de ampliar os conhecimentos e habilidades dos profissionais que se formam na área. Para se adaptar a uma realidade cada mais complexa no mundo corporativo ou para se tornarem empreendedores em seus campos de atuação, é preciso muito mais do que o domínio das disciplinas básicas das Ciência Exatas e aquelas vinculadas à profissão. Por isso, é cada vez mais necessário incluir na jornada acadêmica saberes de outras áreas, principalmente de Humanas. O Clube de Engenharia vem acompanhando esse processo e passou a contribuir com esse aprimoramento, principalmente através do seu projeto Humanidades na Engenharia.

Os requisitos para o engenheiro na atualidade incluem a capacidade de inovar, lidar com suas equipes, compreender os impactos de seus projetos para a sociedade e o meio ambiente e ter a capacidade de produzir soluções para os diversos problemas. Para isso, é preciso uma maior integração entre as diferentes disciplinas, que deixam de ser consideradas áreas estanques. Preconiza-se também a introdução de aulas nas faculdades que abordem questões ligadas às ciências sociais, à sustentabilidade e ao empreendedorismo, entre outros temas.

Através do Humanidades na Engenharia, a cada mês está sendo realizado um evento com um palestrante convidado. Por meio desse encontro, uma gama variada de conhecimentos é compartilhada com estudantes, engenheiros e o público em geral. Na prática, o projeto demonstrou o quanto os diferentes saberes estão interligados e a Engenharia só tem a ganhar com esse enriquecimento. Um exemplo disso, foi a palestra do historiador e arquiteto Nireu Cavalcanti, que pesquisou sobre o transporte do meteorito Bendegó do Interior da Bahia até o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O projeto foi realizado no fim do século XIX, com o apoio de engenheiros que eram associados ao Clube

“Aprendemos a vida toda a separar as Ciências Exatas das Ciências Humanas, a partir de uma visão simplista sobre a natureza dessas áreas do conhecimento e suas práticas. No mundo atual, estamos vendo que grande parte dessa dicotomia precisa ser superada, pois no exercício de suas atividades os engenheiros inevitavelmente têm que fazer avaliações e tomar decisões que exigem pelo menos uma compreensão de um espectro amplo de disciplinas. Essa visão mais crítica, reflexiva, humanista e holística precisa ser cultivada”, explica a coordenadora do projeto, a vice-presidente do Clube de Engenharia, Maria Alice Ibañez Duarte.

Resolução do Ministério da Educação (MEC) de abril de 2019 já estabelece novas diretrizes nacionais para os currículos de graduação em Engenharia, que preconizam essa reformulação. Além disso, a nova base também prevê o ensino de diversas competências, como as implicações éticas e legais do seu trabalho, o emprego da criatividade para se chegar a soluções e a aplicação de conceitos de gestão em seus projetos, entre outras. Essa reformulação curricular também foi debatida especificamente no evento de setembro do Humanidades, que contou com a participação do professor da UERJ José Carlos Vilar Amigo. Esse desafio também foi abordado pela ex-reitora da UEZO (antiga Universidade Estadual da Zona Oeste) Luanda de Moraes, convidada do mês de julho deste evento.

Nessa jornada, o Humanidades vem dando luz a questões complexas como a educação básica para crianças em situação de rua ou que vivem em comunidades carentes, tema da educadora Yvonne Bezerra de Mello. Os problemas sociais também vieram à tona na palestra do professor da COPPE/UFRJ Luan Santos, que foi o palestrante de abril. Dessa vez foram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que foram destrinchados nesse encontro. 

“Pensamos num formato para os eventos para extrairmos o máximo de cada tema e para que possamos conjuntamente estabelecer um diálogo democrático entre o palestrante e os participantes. A cada encontro, convidamos um entrevistador, que traz suas indagações e comentários. Também é fundamental a participação do público, que enriquece sempre as discussões”, ressalta Maria Alice.

O evento vem sendo realizado nas últimas terças-feiras de cada mês, com transmissão ao vivo pelo canal do Clube de Engenharia no YouTube e todos os encontros estão disponíveis nessa plataforma. É uma contribuição da entidade não só para o aprimoramento da formação acadêmica dos engenheiros, como para o debate sobre questões nacionais, cumprindo sua responsabilidade social e sua missão. Além da transmissão de conhecimento, os encontros procuram apresentar a relação dos temas com as artes, abrindo espaço para a inserção de trechos de músicas e filmes. É uma oportunidade aprender e se entreter.

AUTORES/EPISÓDIOS:

RUALDO MENEGAT – Cidades Gigantes e Antropoceno: tempo profundo e educação

O projeto Humanidades na Engenharia recebeu na edição de novembro de 2023 o professor Rualdo Menegat, do Instituto de Geociências da UFRGS. O especialista nos enriqueceu com seus conhecimentos, frutos de uma longa experiência em pesquisas. Abordou como a ocupação humana, sobretudo através do crescimento das cidades, está impactando a superfície do planeta. A palestra tratou das principais características do Antropoceno, época em que a ação humana interfere na formação geológica da natureza.

TATIANA ROQUE – Novos pactos entre ciência e política para um futuro melhor, possibilidade ou ilusão?

O Projeto Humanidades na Engenharia recebeu na edição de outubro de 2023 a professora de Matemática e Filosofia da UFRJ Tatiana Roque, atual Secretária Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Ela é autora de livros, tais como: “História da matemática: uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas”, vencedor do Prêmio Jabuti de 2013 na categoria Ciências, e “O dia em que voltamos de Marte”. Tratou da necessidade de um maior vínculo entre as instituições científicas e a sociedade para se recuperar esse elo.

IMA VIEIRA – O Museu Emílio Goeldi e a Amazônia

A engenheira agrônoma e ecóloga Ima Vieira é uma profunda conhecedora da Floresta Amazônica, seja por sua experiência de vida seja por sua dedicação à pesquisa. Enriqueceu o acervo do projeto Humanidades na Engenharia com sua palestra sobre o papel do Museu Emílio Goeldi, em Belém, para a preservação da Amazônia e para o maior conhecimento por parte dos brasileiros de suas riquezas naturais e culturais.

HELOI MOREIRA – Bastos Tigre: engenheiro ou poeta?

O professor e ex-presidente do Clube de Engenharia Heloi Moreira abordou a história do engenheiro pernambucano Manuel Bastos Tigre (1882-1957). Ele deu ao longo da vida contribuições para diversas atividades criativas, como a literatura, o jornalismo, a publicidade, entre outras.

LUIZ ANTÔNIO T. GRASSI – A responsabilidade social da engenharia: Programa Senge Solidário

O engenheiro Luiz Antônio T. Grassi falou sobre o programa criado pelo Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul, que procura levar os conhecimentos técnicos aos mais necessitados do estado gaúcho.

JOÃO IGNÁCIO IBAÑEZ – As catedrais, uma pequena história

As catedrais mudaram muitas paisagens e são pontos de referência no evoluir da nascente civilização
ocidental e marcam de forma indelével o fato da Idade Média não ter sido apenas trevas.
Para conversar sobre este assunto tão instigante em que convergem arquitetura, engenharia, arte,
religião e história, trouxemos no Projeto Humanidades na Engenharia o tema: As Catedrais, uma pequena
história. O palestrante convidado para falar sobre esse tema foi o engenheiro João Ignácio Ibañez.

ANDREA SANDER – Os Conhecimentos das Geociências acessíveis a todas através do SGBEDUCA

A edição de março tratou do tema “Os Conhecimentos das Geociências acessíveis a todas através do SGBEDUCA”. O programa é uma iniciativa do Serviço Geológico do Brasil, que é um exemplo de como os profissionais de uma empresa pública colocam o seu conhecimento e sua experiência ao alcance de adultos, jovens e crianças.

MÁRCIO VIEIRA – OPORTUNIZANDO UM FUTURO MELHOR PARA A BASE DA PIRÂMIDE SOCIAL

O projeto Humanidades na Engenharia teve como tema da edição de fevereiro a
atuação do Instituto Rogerio Steinberg (IRS), instituição sem fins lucrativos com sede
no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. O convidado para dar uma palestra sobre esse
trabalho social e educacional criado em 1998 foi seu presidente, Marcio Vieira, que apresentou aqui os resultados.

LUIZ DAVIDOVICH – ARTE, CIÊNCIA E EDUCAÇÃO

O primeiro episódio de 2023 contou com a participação do físico Luiz Davidovich. O professor emérito da UFRJ e ex-presidente da Academia Brasileira de Ciências defendeu um novo modelo de ensino mais holístico e sem as rígidas barreiras criadas entre as áreas de conhecimento. Ele falou de como pintura e geometria, por exemplo, podem andar juntas e muitas outras formas de se aliar diferentes disciplinas em prol de soluções criativas.

ENNIO CANDOTTI – POPULARIZAR O QUE SABEMOS E O QUE NÃO SABEMOS É PRECISO!

O episódio de novembro do projeto teve como convidado o físico ítalo-brasileiro Ennio Candotti. Ele abordou tema fundamental na atualidade, que é a crise do conceito de verdade. Numa era de fake news e de questionamentos sobre a autoridade da ciência, foi uma aula de como a humanidade deve caminhar para retomar o rumo do conhecimento e do progresso. Atualmente, o cientista atua como diretor do Museu da Amazônia. Na sua carreira, se destaca os quatro mandatos como presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ter sido um dos fundadores da revista Ciência Hoje e a conquista do Prêmio Kalinga da Unesco.

JOSÉ CARLOS VILAR AMIGO – PRATICANDO O ENSINO DE HUMANIDADES NA ENGENHARIA: UMA EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA

O projeto Humanidades na Engenharia tratou na edição de setembro, no dia 27, às 18h, do tema “Praticando o ensino de Humanidades na Engenharia: uma experiência pedagógica”. O professor José Carlos Vilar Amigo falou durante o encontro sobre o desafio de se integrar o ensino técnico das disciplinas essenciais para a formação dos engenheiros com a necessidade de desenvolvimento de uma visão mais holística da atividade e com os saberes e conhecimentos humanísticos.

MICHAEL BARÉ TIKUNA – VALORIZAÇÃO DOS “POVOS ORIGINÁRIOS”

O projeto Humanidades na Engenharia trata na edição de agosto, no dia 23, às 18h, da contribuição dos saberes dos povos tradicionais e originários do continente americano. Para trazer esclarecimentos sobre o assunto, foi convidado o historiador Michael Baré Tikuna, que é descendente dos povos da Amazônia Arawak e Tikuna. Ele já participou de congressos nacionais e internacionais apresentando sua história e sua metodologia epistemológica didático-pedagógica denominada “Educação Amorosa de Aproximação”.

LUANDA DE MORAES – ENGENHARIA COM AFETO PARA CONTRATOS SOCIAIS HUMANISTAS

Na edição de julho, o projeto recebeu a professora Luanda Silva de Moraes, da UERJ. Desta vez, foi dada voz a uma pesquisadora formada em Engenharia Química com uma vasta experiência profissional e de vida. O evento contou com a participação da conselheira Carmen Lúcia Petraglia e com perguntas do público.

NIREU CAVALCANTI – METEORITO BENDEGÓ – O “BAIANO SIDERAL” SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA DO MUSEU NACIONAL

O Humanidades na Engenharia apresentou episódio, que pode ser considerado uma verdadeira epopeia brasileira. A história do meteorito Bendegó, que pertence ao Museu Nacional, foi contada pelo historiador Nireu Cavalcanti, que pesquisou desde a descoberta desse objeto na Bahia no século XVIII até sua sobrevivência ao recente incêndio que atingiu o Palácio da Quinta da Boa Vista.

YVONNE BEZERRA DE MELLO – PROJETO UERÊ: TODOS SÃO CAPAZES DE APRENDER

A educadora Yvonne Bezerra de Mello tem muito a ensinar sobre acolhimento e educação para crianças que vivem em territórios marcados pela rotina da guerra e meninos de rua. Ela falou sobre o projeto Uerê, no Complexo da Maré, e de sua experiência nesse campo.

LUAN SANTOS – OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O projeto recebeu o professor Luan Santos, da COPPE/UFRJ, para um papo sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS. São 17 propostas para o mundo e o Brasil também precisa cumprir as metas até 2030.

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