Revitalização do Galeão inicia fase de decolagem

Revitalização do Galeão inicia fase de decolagem
A Recuperação da Petrobras

Aeroporto Internacional do Rio, que viveu processo de abandono, se prepara para receber novas rotas, mas entorno precisa de investimentos

O Aeroporto Internacional Tom Jobim, mais conhecido como Galeão, já foi a principal porta de entrada do país. No entanto, vem perdendo posições no ranking de passageiros e no ano passado ficou em 10º lugar no país de movimentação. Sua subutilização tem prejudicado não só o turismo no estado, como o desenvolvimento industrial, tendo vista a importância dos voos comerciais para parte preciosa do transporte de insumos de alto valor agregado. Para reverter esse processo e devolver à unidade sua posição de hub, autoridades das três esferas de poder saídas, a começar pela transferência de voos do superlotado Santos Dumont para o terminal da Ilha do Governador. Mas há muito ainda a ser feito para que todo seu potencial seja aproveitado.

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Movimento no Galeão deve aumentar com a transferência de voos

Em 2022, o Galeão movimentou 5,9 milhões de passageiros, sendo que em 2014 esse fluxo foi de mais de 17 milhões. Enquanto há essa queda, o Santos Dumont passou a receber mais voos e atingiu marca de quase 10 milhões de pessoas em embarques e desembarques, número muito próximo de sua capacidade máxima.  A concentração de voos nacionais no terminal central desestimula as rotas internacionais, pois as companhias não têm interesse em se conectar com o Galeão se forem reduzidas as opções de conexões com outros estados. 

Uma importante decisão tomada pelo governo federal já deu impulso à recuperação do aeroporto internacional carioca. Voos entre o Santos Dumont que não sejam para Congonhas e Brasília serão transferidos para o Galeão a partir do ano que vem. Coincidência ou não, várias companhias internacionais e nacionais já anunciaram a ampliação de suas operações no terminal da Ilha, com retomada de rotas principalmente para a Europa.

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Santos Dumont voltará a ter foco na ponte aérea

Mas essa correção não será suficiente se não ocorrerem investimentos principalmente nos acessos ao aeroporto. Atualmente, o principal caminho para quem embarca ou desembarca no Galeão é a Linha Vermelha, que apresenta engarrafamentos constantes, o que torna o tempo de trajeto imprevisível. Essa é uma das principais queixas de quem usa o aeroporto e não pode evidentemente se atrasar.

 Outro problema é o asfalto, com muitos trechos em que os remendos nas pistas já viraram ondulações. A violência é outro tormento para quem trafega na via expressa. 

O poder público estadual e municipal que tanto clamaram por essa retomada se veem agora na obrigação de cumprir sua responsabilidade. O governo do estado anunciou, através de seu Departamento de Estradas de Rodagem (DER) um projeto de recapeamento de quase 14 quilômetros de pistas, no trecho sob sua responsabilidade, entre a Ilha do Governador e a Baixada Fluminense. Um policiamento mais efetivo da via expressa é necessário, até para a preservação do próprio patrimônio público, já que o roubo de cabos continua sendo um problema grave na região, deixando postes apagados nos trajetos.

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Melhorar as condições da Linha Vermelha ainda é desafio. Crédito: Reprodução Centro de Operações Rio

A Prefeitura do Rio ficou responsável pelo outro trecho, entre a Ilha e o viaduto Paulo de Frontin, e também precisa fazer sua parte. Até os painéis que servem de anteparo entre as casas ao longo da via estão em grande parte destruídos, num triste cartão de visitas para quem chega à cidade.

Uma das soluções apresentadas pelo município foi a criação de um serviço de transporte hidroviário, ligando o Galeão ao Santos Dumont. Três consórcios privados já manifestaram interesse na exploração, mas ainda falta a análise dos estudos de viabilidade técnica e econômica. Para o chefe da Divisão Técnica de Transporte e Logística (DTRL) do Clube de Engenharia, Itamar Vieira Marques, essa alternativa apresenta muitas vantagens e tende a trazer avanços nas condições de acesso ao Galeão, mas não exclui a necessidade de um projeto mais robusto de chegada de um modal sobre trilhos para a Ilha.

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Galeão pode ganhar acesso hidroviário. Crédito: Henrique Freire/ GERJ

O engenheiro também aponta para a necessidade de retomada de linhas de ônibus refrigerados, que podem atender bem parte da demanda. São alternativas que, mesmo com a chegada de uma linha de transporte de massa, sempre funcionarão em caráter complementar, segundo ele. Para Itamar as autoridades devem avaliar as vantagens e desvantagens de eventual linha de trem, metrô, VLT e até do Maglev, veículo desenvolvido pela COPPE/URFR.

“O transporte aquaviário pode ser uma alternativa mais rápida e econômica para melhorar o acesso ao Galeão, mas não exclui a necessidade de um projeto de transporte de massa, que precisa começar a ser planejado. O fato de ser uma solução de longo prazo não é desculpa para não iniciarmos sua execução logo”, argumenta Itamar.

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BRT não atingiu o resultado esperado e atualmente funciona precariamente

O conselheiro vitalício do Clube e ex-secretário estadual de Energia, Indústria Naval e do Petróleo Wagner Victer elaborou um estudo preliminar com propostas de melhorias viárias e de segurança de curto, médio e longo prazos. Entre as soluções de trânsito mais urgentes estão recapeamento das pistas, recuperação das divisórias das pistas, demolição de casas junto à via expressa, instalação de câmeras de monitoramento, melhorias na iluminação e policiamento por motocicletas. 

Também há previsão de obras com o objetivo de se acabar com os gargalos no trânsito em interseções como com a Linha Amarela, com a Rodovia Washington Luiz e nos acessos à Ilha do Governador e ao Centro. Segundo ele, o estudo já está em análise pelas autoridades das três esferas do poder público, mas grande parte dos investimento depende não só de um detalhamento técnico como de uma definição quanto à permanência ou não do consórcio Changi na administração do Galeão.

“Eu fiz o projeto conceitual, mas terão que fazer o projeto básico e a licitação ou até ser realizado pela concessionária, caso ela permaneça”, afirma Victer, que estima em R$ 300 milhões o custo das 13 intervenções propostas.

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