Robótica ajudou na localização do Titanic há 38 anos

Robótica ajudou na localização do Titanic há 38 anos
A Recuperação da Petrobras

Equipe do oceanógrafo Robert Ballard conseguiu encontrar destroços do transatlântico graças a veículo equipado com câmera e sonar

O naufrágio do Titanic há mais de 110 anos ainda provoca grande interesse até os dias atuais, por ter sido considerado na época o navio mais luxuoso do mundo e construído com a promessa de ser “inafundável”. Tanta curiosidade levou até um grupo de cinco milionários a participarem recentemente de uma expedição também trágica em que morreram ao tentar ver de perto os restos desse antigo colosso dos mares. O que poucos sabem é que durante décadas sequer era possível saber a localização do transatlântico, que só foi encontrado em 1985 graças a um admirável esforço de engenharia.

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Titanic foi símbolo de arrojo e luxo

O Titanic fez sua viagem inaugural em 1912, partindo da cidade inglesa de Southampton com destino a Nova York, com mais de 1.500 pessoas a bordo. Não chegou, no entanto, ao seu destino por causa de uma colisão com um iceberg. A história do naufrágio ficou ainda mais famosa depois de ter ido parar nas telas do cinema, através do filme de James Cameron, estrelado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.  

Além de ter chocado o mundo, o acidente foi acompanhado de muito mistério com relação a suas causas durante muito tempo. Os destroços do Titanic sequer foram encontrados até que o oceanógrafo americano Robert Ballard, notório por seu trabalho com arqueologia subaquática, empreendeu uma missão em 1985 para chegar até o ponto exato. Conseguiu o feito graças à mais moderna tecnologia existente na época e do uso de equipamentos operados remotamente para localizar os restos a cerca de 4 quilômetros de profundidade.

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 Robert Ballard, o oceanógrafo que descobriu o Titanic em 1985. Crédito: Creative Commons

Um dos instrumentos utilizados nas buscas foi o sonar de varredura lateral, que emite pulsos sonoros. Esses sinais atingiam o fundo do oceano na região de provável localização do Titanic e retornavam para a leitura do que havia nas profundezas. Foi o principal meio que ajudou a equipe a achar a proa e a popa do navio, que estavam separados e a uma distância de 800 metros. 

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Destroços da proa do Titanic. Crédito: Creative Commons

A tecnologia parece até primitiva perto da varredura em 3D feita recentemente pela empresa Magellan, que mapeou os restos do navio, revelando detalhes inéditos. Mas em 1985, a equipe de Ballard também conseguiu documentar a descoberta através de fotografias e filmagens.

Ele utilizou um veículo controlado remotamente, que carregava para o fundo do mar câmeras, iluminação com luz estroboscópica e incandescente e outros recursos. Eram os equipamentos adequados na época para as investigações em águas profundas, pois transmitiram dados e imagens para os pesquisadores, que permaneciam na superfície a bordo de um navio.

Durante a missão, além de terem constatado o rompimento do navio, os pesquisadores também documentaram a grande quantidade de objetos que se espalharam pelo entorno. A expertise na arqueologia subaquática e a tecnologia adquirida permitiram outras descobertas pela mesma equipe, como a do Couraçado Bismarck (1989) e do porta-aviões USS Yorktown (1998).

Mas a tarefa não foi simples. Na primeira tentativa feita em 1977, em vez dos veículos remotos, ele empregou sondas ligadas a tubos de cerca de 900 metros de extensão. Eles eram descidos por meio de um guindaste que ficava na superfície, mas a operação foi um desastre e o equipamento simplesmente se perdeu.

Foi graças ao apoio da Marinha americana que ele conseguiu desenvolver a tecnologia ideal para esse tipo de exploração. Os militares queriam encontrar os submarinos nucleares Thresher e Scorpion, perdidos no Atlântico Norte, e financiaram o desenvolvimento de um veículo operado à distância que pudesse encontrá-los. Foi criado o Argo, que transmitia imagens ao vivo e permitia uma varredura numa região vasta. A missão era secreta e permaneceu incógnita até os anos 1990, mas serviu de aprendizado para as buscas ao Titanic

O Argo era uma espécie de robô subaquático envolto em uma estrutura metálica que protegia os equipamentos. A comunicação com a superfície se dava através de um cabo para a troca de dados. 

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 Robert Ballard em palestra. Crédito: Creative Commons

Toda essa tecnologia parece ter sido antecipada no legendário filme “20.000 Léguas Submarinas” (1954), baseado na obra de Júlio Verne, e a ficção realmente inspirou a invenção. A longa-metragem era o favorito de Ballard. Mas foram os avanços da robótica que permitiram a realização do feito. Os avanços da tecnologia digital e do uso de bomba hidráulicas para o acionamento dos equipamentos tornaram os veículos remotos atuais mais eficientes e precisos, mas não ofuscam o feito da equipe do oceanógrafo americano. Que suas descobertas sejam mais úteis para a ciência e menos válidas para passeios de alto risco.

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