Startup de Nova Friburgo conecta consumidores com recicladoras de lixo eletrônico

Startup de Nova Friburgo conecta consumidores com recicladoras de lixo eletrônico
Desastre em Maceió

Modelo estimula o descarte adequado do material, que tem ameaçado o meio ambiente quando jogado no lixo comum

Uma startup nascida em Nova Friburgo, na Região Serrana Fluminense, está servindo de exemplo para a solução de um grave problema: o acúmulo de lixo eletrônico em residências e no meio ambiente. A Reciclotron se especializou em criar conexões entre consumidores que guardam aparelhos sem utilidade e a rede de reciclagem homologada do país, ajudando a superar um abismo que coloca o Brasil entre os maiores produtores de dejetos desse tipo no mundo. O projeto foi apresentado na edição de dezembro do Encontros com Tecnologia, do Clube de Engenharia.

Para explicar como funciona a atuação da Reciclotron, foi convidado um de seus fundadores, o publicitário Eric Fernandes. Uma das inovações feitas pela startup, que surgiu de um projeto junto à Agência de Inovação da UFF na cidade serrana, foi o formato dos pontos de coleta do material, que podem ser comparados com miniestações, com visual atrativo, o que quebra o paradigma do lixo como algo sujo e feio.

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Estações atrativas são um dos diferenciais do projeto

Mas uma das principais novidades que a iniciativa trouxe foi a oferta de uma pontuação para os participantes. Ou seja, quem contribui doando equipamentos como aparelhos de celular, carregadores, etc., que estão guardados em casa, recebe em troca “reciclopontos”, que podem ser trocados por produtos, descontos em lojas parceiras ou doados para instituições sociais. Dependendo da contribuição, o participante pode ganhar até um litro de chope em bar de Lumiar, distrito turístico de Nova Friburgo.

“Lixo é feio e sujo e ninguém quer chegar perto, mas procuramos fazer um lugar de valor para o coletor, o que chama a atenção das pessoas”, ressaltou Fernandes.

Para registrar as entregas, o participante deve utilizar o aplicativo de celular do programa, disponível para aparelhos da Apple ou que carregam o sistema Android. É um mecanismo que auxilia na rastreabilidade dos objetos. Afinal, o desafio é imenso, tendo em vista que o Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo e recicla apenas 3% desse material.

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Celulares inúteis guardados em casa podem ser reciclados. Crédito: Pixabay/andreahuyoff

Para incentivar ainda mais o recolhimento e a destinação correta do material, a startup já promoveu gincanas entre escolas do munícipio do Interior do Rio, o que também é um trabalho de educação ambiental. Em uma dessas competições, chegou a arrecadar 5 toneladas em produtos descartados. Empresas também estão aptas a promover esse tipo de competição. Outra ação de grande repercussão foi a iluminação do monumento do Cristo Redentor no dia 14 de outubro, Dia Internacional do Lixo Eletroeletrônico

“Ao conectarmos quem quer reciclar com quem recicla, estamos ajudando a atingir alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, destacou Fernandes.

A Reciclotron trabalha com parceiros homologados, com certificado emitido pelo Ibama e outros órgãos ambientais, o que nem sempre é fácil. Mas é a única alternativa para se dar credibilidade ao projeto, que ganha cada vez mais adesões. Sem o descarte correto, não é possível o doador saber que o material não vai causar danos à saúde de quem o manipula ou estragos ao meio ambiente, tendo em vista a presença de elementos tóxicos no lixo eletrônico.

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Lixo eletrônico pode ajudar na inclusão digital e também virar arte. Crédito: INESby®CreamosValor por Pixabay

São questões que deveriam chamar a atenção do poder público e da indústria, a fim de se aumentar o percentual de reciclagem no país. O lixo recolhido não é destinado apenas a recicladoras que o transformam em matéria-prima. Parte dos aparelhos recolhidos pode servir para projetos de inclusão digital, se os equipamentos ainda estiverem dentro da vida útil. Mas surpreendente mesmo é o aproveitamento do lixo para a montagem de esculturas. O lixo vira arte nas mãos dos integrantes do Museu do Graffiti, na Pavuna, Zona Norte do Rio.

Assista aqui ao programa:

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