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Vistoria avalia pontos de interesse histórico e natural de área de parque em Copacabana

Vistoria avalia pontos de interesse histórico e natural de área de parque em Copacabana

Vistoria avalia pontos de interesse histórico e natural de área de parque em Copacabana
Desastre em Maceió

Comissão encontra provável local de observação para a composição da gravura de 1835 feita por Rugendas

A valorização da geodiversidade, da biodiversidade e de sítios históricos é estratégica para os países desenvolvidos, entre outros motivos, em virtude do potencial turístico que essas atrações possuem. No entanto, o Brasil ainda deixa a desejar em termos de preservação, estudo e divulgação desses lugares. Por isso, é notável o trabalho feito por geólogos, engenheiros e outros profissionais pesquisadores em prol do Parque Estadual da Chacrinha (PEC) e seus arredores. A região de Copacabana recebeu uma visita técnica cujo resultado foi apresentado no início de dezembro em evento no Clube de Engenharia.

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Vista semelhante à registrada por Rugendas

Coube ao geólogo Gabriel Lamounier, que preside a Associação dos Servidores do Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (ASDRM) e é sócio do Clube de Engenharia, apresentar o resultado da visita técnica realizada no dia 6 de agosto. Um dos objetivos da missão era identificar o possível ponto de onde o excursionista e pintor alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858) teria observado a paisagem para pintar a gravura “Praya Rodriguez”. Mas a visita técnica teve também a função de identificar outros pontos históricos, bem como as condições de conservação e segurança da região.

Um dos locais vistoriados foi o platô onde cresceu um jequitibá-de-manta (Couratari pyramidata), árvore endêmica do Rio de Janeiro que está ameaçada de extinção. Esse exemplar com mais de 30 metros de altura é, provavelmente, o mais antigo morador de Copacabana, e fincou suas raízes nas fissuras da rocha em busca de água e nutrientes para crescer e sobreviver. O grupo constatou a instabilidade geológica do patamar onde o jequitibá se encontra e apontou para a necessidade de estudos para uma possível contenção, a fim de se evitar um deslizamento.

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Geólogo Gabriel Lamounier

“Sem aquelas fraturas na rocha, a árvore não se instalaria ali. Então, há uma relação entre a geodiversidade e a biodiversidade”, ressaltou Lamounier.

Os técnicos também visitaram um ponto do PEC onde houve um deslocamento de terra e rochas em abril de 2019. Apesar de a área estar interditada, esta merece maior atenção do poder público e a recuperação do local, onde antes havia uma pequena praça.

A visita técnica também incluiu as ruínas da casa de Teodoro Pescador, construída no período colonial, com paredes espessas de pedras unidas por argamassa com conchas. A antiga habitação tem inegável valor histórico, mas não há qualquer informação sobre sua ocupação. Outra falha é a ausência de informações aos visitantes da antiga função de defesa do litoral da área do PEC, onde ocorrem diversos patamares e muros de pedra-seca, bem como um aqueduto. A vistoria também esteve na “gruta de Tiradentes”, na verdade pequenas reentrâncias entre grandes matacões rochosos empilhados, que teria sido frequentada pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, quando este serviu no Reduto do Leme entre 1776 e 1779. 

A importância estratégica da região para a observação da entrada da cidade, que no fim do século XVIII se limitava praticamente ao Centro, ainda é visível. Só resta, no entanto, o Forte do Vigia como estrutura ainda em uso pelo Exército. Já os arcos da Ladeira do Leme, que também foram construídos com o objetivo de defender a cidade, viraram passagem para os carros, sem que os transeuntes ou passageiros dos automóveis tenham ideia de sua importância.

A vistoria também encontrou em bom estado de conservação estruturas de contenção feitas na época colonial. São muros de pedras, inspirados provavelmente nos chamados socalcos, usados no interior de Portugal desde a época medieval para a agricultura. As construções na área do PEC também evidenciam a habilidade de artesões da época, que aproveitaram com maestria as qualidades do gnaisse facoidal, rocha típica das montanhas do Rio de Janeiro, incluindo o Morro de São João e o Pão de Açúcar.

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Ibá dos Santos Silva presente na vistoria

A visita também incluiu a identificação do ponto mais provável de onde Rugendas registrou a imagem da Praia de Copacabana com as Ilhas Cagarras ao fundo. Apesar das transformações pelas quais passou o lugar e por uma provável composição de imagens da obra, que não é uma reprodução exata da vista, foi encontrado afloramento rochoso muito semelhante ao pintado em que se enxerga, ao fundo, um horizonte bastante semelhante ao da gravura “Praya Rodriguez”. A imagem de 1835 conta ainda com um homem agachado com livro aberto, que possivelmente estava estudando uma planta conhecida popularmente por araçá-da-praia, ou princesinha de Copacabana, e pelo nome científico de Eugenia copacabanensis. Um exemplar doado pelo Jardim Botânico ainda se encontra junto à sede do PEC.

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O diretor de Atividades Institucionais do Clube, o geólog Ricardo Latgé, ao centro

“Pontos de interesse geológico deveriam ter placas ou totens com informações”, recomendou o geólogo.

O conselheiro do Clube e vice-chefe da Divisão Técnica de Geologia e Mineração (DGM), Renato Cabral Ramos, destacou o quanto as construções do PEC evidenciam sua importância para a defesa da cidade no período colonial, o que exigiria uma melhor preservação desse patrimônio. “As construções foram resultado do medo das autoridades portuguesas frente ao risco de invasões”, ressaltou ele, referindo-se as invasões de corsários franceses no início do século XVIII e da ameaça de invasão espanhola décadas depois, quando estas finalmente foram implantadas.

O chefe da Divisão Técnica de Recursos Naturais Renováveis (DRNR) e também conselheiro do Clube, Ibá dos Santos Silva, também defendeu uma melhor preservação das construções históricas e da natureza de toda a área do PEC e seus arredores. 

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Ibá defende melhor conservação da área do parque

“O Pão de Açúcar está inserido num sítio histórico que vai do Humaitá a Niterói, que era um sistema de defesa e de observação da costa. Ele compõe a história do Brasil e do povo brasileiro e não pode ser esquecido”, afirmou o chefe da DTE.

Assista aqui ao evento:

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