Voluntários ajudam na preservação de áreas verdes no Rio

Crédito: Reflorestamento Urbano
Voluntários ajudam na preservação de áreas verdes no Rio
Soberania Energética

Coletivos ajudam na vigilância, manutenção e até no plantio a fim de melhorar qualidade de vida na cidade 

Grupos de voluntários vêm nos últimos anos realizando um trabalho em prol das áreas verdes da cidade do Rio de Janeiro, que está contribuindo com embelezamento das ruas e melhoria da qualidade de vida. São cariocas que gratuitamente plantam mudas em canteiros, cuidam de plantas e árvores que ainda precisam de atenção para vingar e monitoram a flora dos espaços públicos. Estão presentes em todas as regiões do território, que apesar de ter a maior floresta urbana do mundo, ainda carece de vegetação nos seus logradouros.

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Arboristas Urbanos reúne voluntários que ajudam a cuidar do verde na Zona Norte do Rio. Crédito: Reprodução das redes sociais

Um dos grupos mais atuantes na capital fluminense é o Reflorestamento Urbano, que teve origem em bairros da Zona Sul e acabou também se expandindo para parte da Zona Norte. Apesar de serem bairros mais nobres e turísticos da cidade, foi constatada a falta de reposição de árvores mortas, jardins abandonados e degradação em praças e parques. Segundo o coordenador, o arquiteto e paisagista José de Guimarães, o ápice desse abandono ocorreu na gestão passada da prefeitura.

“O grupo surgiu da inoperância do poder municipal na época do Crivella. Praticamente não havia replantio e percebemos que tínhamos que agir. Começamos na época com as calçadas e praças”, conta Guimarães.

Atualmente, o grupo, que conta com a participação de uma engenheira florestal, tem mudado o foco de atuação. Com a retomada do plantio por parte da Fundação Parques e Jardins (FPJ), os voluntários têm se concentrado num trabalho mais complementar ao do poder público. Os cerca de 40 membros ajudam na vigilância das áreas verdes, cuidam de mudas recém-plantadas que precisam vingar e também fazem o monitoramento da flora. Tem sido valiosa da ajuda diante dos problemas que ocorrem na cidade.

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Plantio na Ilha do Sol, na Baía de Guanabara. Crédito: Reflorestamento Urbano

Árvores são constantemente agredidas e sofrem com os ataques de fungos e insetos. Segundo Guimarães, entre as mangueiras do Rio, muitas estão doentes e essa atenção tem alertado os técnicos para salvar as árvores. São diagnósticos feitos por grupo de trabalho de monitoramento, que também observa problemas graves com os oitis cariocas.

“Passamos a priorizar a vigilância para manutenção das áreas verdes e sempre em contato com a máquina municipal. Temos a expectativa de uma interação maior, inclusive com capacitação por parte do poder público”, explica Guimarães.

Em um dos mutirões feitos pelo grupo, em 2020 em plena pandemia, foram plantadas mudas na Enseada de Botafogo. O novo canteiro embelezou ainda mais o local, que acabou sendo mais respeitado, evitando que se jogue lixo no lugar. 

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O coletivo Reflorestamento Urbano fez ação emblemática na Enseada de Botafogo. Crédito: Reflorestamento Urbano

Outro coletivo que tem ajudado a tornar a cidade mais bonita e ambientalmente mais agradável é o Arboristas Urbanos, com forte atuação na Penha e em outros bairros da Zona da Leopoldina. A região é considerada a de menor índice arbóreo do município e o plantio de mudas de árvores tem atenuado o problema.

 O grupo também faz mapeamentos das ruas que precisam de atenção especial e promovem a educação ambiental nos bairros. A vigilância também é importante para a conscientização da população com relação ao respeito às árvores. Além de ruas e praças, o grupo também já promoveu plantios no Parque Ary Barroso, um dos principais patrimônios ambientais da região.

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Baixo índice arbóreo exige colaboração de voluntários. Crédito: Reprodução das redes sociais

O coletivo Favela Viva, que promove diversas ações no Morro do Cruz, no Andaraí, é de formação mais recente, mas já procura realizar mutirões para o plantio de árvores nas encostas da região mensalmente. A ideia é também arborizar as ruas do lugar, amenizando as altas temperaturas. As ações socioambientais contam com 17 voluntários e espalham 42 espécies diferentes de árvores na comunidade e em seu entorno. 

A Fundação Parque e Jardins (FPF), da Prefeitura do Rio, tem procurado estabelecer parcerias com os coletivos. Segundo o órgão, “os pontos de plantios identificados pelos coletivos urbanos recebem vistoria de técnicos da Fundação, que pode ser realizada de forma conjunta, com abertura para sugestões sobre as espécies, por exemplo, e havendo viabilidade técnica, serem executados de forma programada com a participação dos proponentes”.

É um processo que tende a se intensificar através de um programa de treinamento, que está sendo formatado. A Diretoria de Arborização (Darb) da FPJ tem promovido encontros não só com esses coletivos, mas também com associações e cidadãos comuns que buscam capacitação e informação. São encontros que ajudam no esclarecimento sobre  a complexidade da atividade de plantio de árvores no ambiente urbano e práticas de manejo para manutenção de árvores jovens.

“A FPJ está sempre aberta ao diálogo e entende ser fundamental a participação da sociedade na manutenção e zelo aos canteiros e árvores urbanas. Importante destacar que o plantio em vias públicas é uma atividade complexa que requer conhecimentos específicos e recursos. Há espécies adequadas e critérios a serem seguidos, com orientação técnica, para que uma boa intenção não possa virar um problema no futuro”, recomenda o órgão, que reconhece a importância da participação da sociedade civil na preservação do verde.

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